terça-feira, 20 de agosto de 2013

Vêm aí as eleições autocráti^H^H^H autárquicas

Eleições autárquicas

Vejo em todos os lugares uma profusão de obras, de renovações, de betão. Ora é o jardim que está a ser arranjado, ora é o passeio que anda a ser renovado, ora a rotunda n.º 10203 está a sofrer a sua sexta renovação. As máquinas ouvem-se, alguns piropos a uma mulher mais jeitosa saem da boca dos trabalhadores, há pó no ar, e nós sentimo-nos aconchegados.

Aconchegados?

Pois é, não foi erro. Disse mesmo aconchegados. Agora sim, com tanto betão estamos certos de que existe um Estado. O Estado, segundo o que nos dizem, existe para cobrir o país de obras artificiais, com ou sem utilidade. Essa coisa de utilidade não interessa. O que interessa é haver pó no ar, barulho de máquinas e piropos a soar.

Há um problema: essas obras são feitas contra nós e com o nosso dinheiro

Contra nós? Mas as obras não são boas?

Depende. Há obras que são boas. A maior parte delas não. Que utilidade existe em se renovar uma rotunda perfeitamente funcional para se lá colocar uma estátua do primo do amigo do presidente de câmara? Que utilidade existe em se fazer uma piscina no bairro se existe uma outra funcional a menos de dois quilómetros? Que utilidade existe em se fazer uma estrada paralela a uma outra, se a existente está longe de ter tráfego mensurável? Que utilidade existe em se fazer uma sala de congressos que apenas albergará no fim do ano a festa de Natal dos funcionários da câmara?

Mas as obras criam empregos... não criam?

Pois criam, mas apenas por um momento. Em boa verdade, os empregos que se criam hoje serão transferidos amanhã para o estrangeiro, visto que o dinheiro dos juros da dívida vai ser subtraído às famílias através de impostos, e pago aos estrangeiros que nos emprestam dinheiro. Um estrangeiro será amanhã beneficiado por me haver emprestado dinheiro, pela simples razão de que ninguém está a fazer um esforço para pagar a dívida. Na verdade, estamos a criar uma teta eterna para um estrangeiro qualquer.

Mas as obras já estão pagas!

Na verdade não. Se virmos bem, uma obra que tenha sido feita há vinte anos atrás não só não foi paga como continua a pagar juros. E isso eu juro! Como a dívida se tem mantido nos mesmos valores, temos de considerar que cada compra e cada obra se deve valorizar à taxa de desconto do empréstimo de tesouraria, a taxa mais elevada que um município paga.

Consideremos uma obra inútil (estátua e jardim numa rotunda que até já estava calcetada) de EUR 100.000 a pagar a vinte anos à taxa de 3%. A taxa máxima de juro pago pelo município é de 5%. A manutenção fica a 5% do montante da obra, paga à empresa de jardinagem e ao empereiteiro.

Quanto custa a obra anualmente? Entre serviço de dívida (5% + 3%) e manutenção (5%), a obra, dir-se-á, custa EUR 13.000 anuais. Era bom que assim fosse, mas não é. É que se a obra não existisse, era menos EUR 100.000 no empréstimo de tesouraria, esse perpétuo. Logo há que adicionar os 5% de juros anuais desse empréstimo. A obra custa então EUR 18.000 anuais. Portanto, duplica o preço a menos de 6 anos. Dessas despesas anuais 8%, ou oito mil euros, são em juros. Um banqueiro está a esfregar as mãos.

Ao fim de vinte anos, a obra custa qualquer coisa como EUR 360.000. Sim, trezentos e sessenta mil euros, mais de três vezes o que foi orçamentado e pago ao empereiteiro. Esses trezentos e sessenta mil euros vêm dos meus e dos seus impostos, caro leitor. Repercutem-se no preço da água que lhe trazem para casa, fonte de financiamento dos municípios.

Repercutem-se na multiplicidade de licenças e de taxas, de alvarás pagos e de autorizações a peso de ouro que os municípios lhe exigem até para fazer uma capoeira ou para colocar uma câmera de segurança no seu terreno.

Mas se as obras são tão más, porque é que as fazem?

As obras são feitas porque beneficiam os políticos que as mandam fazer e os empereiteiros que as executam. Os empereiteiros (que não são burros nenhuns!) usam parte desse dinheiro em financiamento dos partidos no poder, e até por vezes em subornos aos decisores. Os bancos adoram as obras públicas porque ficam com uma fonte de rendimento perpétuo, em juros que nunca acabam. No fundo, trata-se de usar o nosso próprio dinheiro para comprar os nossos votos, como se de uma benesse se tratasse.

Portanto, e creia que tenho razão, a culpa desta situação é minha e sua. Por isso, estou a considerar pela primeira vez na minha vida votar em branco (anulando o voto, pelo sim, pelo não). Estou, caro leitor, farto deste socialismo extorsionista, que vive para enriquecer políticos que compram o nosso voto com o mesmo dinheiro que roubam aos nossos próprios bolsos.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Quando as comadres estão de costas as verdades sabem-se.

Sim, nós podemos... redistribuir riqueza! Sim, nós podemos... ignorar a Constituição. Sim, nós podemos... destruir este país.

As seguintes palavras não são minhas:

Já ouvi mais de Bush, pedindo o meu conselho, do que ouvi de Obama. Não tenho relacionamento nenhum com o Presidente — mesmo nenhum. Obama não sabe ser presidente. Ele não sabe como o mundo trabalha. Ele é incompetente. É um amador!

Juram-se a pés juntos que estas palavras foram proferidas em ira por Bill Clinton, durante uma reunião em Chappaqua, em relação ao presente presidente dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama. Clinton e Obama estão no mesmo partido, e Obama beneficiou em idos de 2008 e de 2012 de uma ajudinha e de um apoio bem merecido do Bill Clinton.

Para quem quiser conferir, o artigo no New York Post é assinado por Edward Klein.

Iguais incompetentes, com iguais socialismos e humidíssimos sonhos para o Estado Controleiro™, continuam a governar Portugal.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Uma história de burros

Sou autoridade!

A história que se segue é completamente inapropriada para pessoas com apoplexia ou asma. São aqui avisados também os que sejam sensíveis a estultícia, burrice ou trapalhadas. A cautela dos nossos leitores é aconselhada.

Passou-se há alguns dias, e foi-me contado por quem o presenciou. A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) entra pelo estaleiro do novo data center da PT, na Covilhã, adentro, e manda parar todas as máquinas.

As razões invocadas foram estas: receberam uma denúncia, anónima, dizendo que uma das gruas móveis trabalhava sem aterramento elétrico. Os engenheiros devem neste momento estar a rir às bandeiras despregadas. Foram avisados.

Um aterramento elétrico é, como mostra a figura seguinte, composto por uma vara de cobre espetada na terra e ligada por um fio a uma instalação elétrica. Esse aterramento é ligado às carcaças metálicas dos equipamentos e conduz para a terra alguma descarga a essas carcaças, protegendo os utilizadores.

Um aterramento elétrico, como o que existe nas nossas casas

Os senhores da ACT, cavalos africandos extremamente sapientes nas artes do incómodo e da burrice, asserveravam que a ligação das gruas móveis à terra era obrigatória por lei. Fica por saber qual é o comprimento do fio que deve ser utilizado para realizar essa ligação, já que as gruas móveis, surpresa!, são supostas deslocarem-se. Os responsáveis pelas obras, contaram-me, não sabiam se deveriam rir ou zangar-se. Não sei como acabou o episódio. Só espero que da próxima vez antes de dar ouvidos a denúncias anónimas, os fiscais fiscalizem o que sabem fiscalizar antes que alguém tenha de fiscalizar o que os fiscais dizem saber.

Quando digo que a ACT e a ASAE devem ser extintas, os seus fiscais nunca se olvidam de se esforçar para me dar razão. A eles, os meus mais sinceros agradecimentos. Não poderia ter senão neles o melhor advogado das minhas teses.

Bem dizia um formando meu, o Carrola, que a ASAE terá um dia de fechar a ASAE. Ou a ACT.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Quem disse que o Estado não é uma empresa?

O Estado é uma empresa, pois tem um deve e um haver, receitas e despesas, e serviços a prestar. Não se pode viver sem Estado. Bem o sei, que vivi em lugares onde o Estado era coisa que não existia no meio de África. E, creiam-me, essa é a antecâmara do inferno.

O Estado deve ser gerido como uma empresa: descobrir-se primeiro quais são os produtos e serviços a fornecer aos clientes de modo a satisfazer as necessidades destes e depois fabricá-los a um custo que permita o preço que os clientes estão dispostos a pagar. Os clientes somos nós, que vivemos dentro da área territorial gerida em exclusividade pelo Estado. Quando falo em estado mínimo, é óbvio que não falo de estado inexistente. Há no entanto em mim a sensação (ainda mais porque sou trabalhador independente em vez de funcionário acomodado) de que os impostos que pagamos não são justificativos do cúmulo de serviços que recebemos do Estado Português.

Há uma diferença entre o Estado e uma outra empresa em mercado livre: se não me agradar a cor ou o preço dos eletrões da EDP, posso ir à ON e pedir um preço. Sei que há cartel nestas empresas, mas os cartéis nunca são eternos: duram até que uma delas comece a ter uma posição dominante, e depois desfazem-se como o amor entre a Besta e a Babilónia em Apocalipse. Quanto ao Estado, se eu não gostar da torturenta e lacrimosa fiscalidade do Estado Português, posso pedir secessão da minha propriedade e começar a pagar ao estado russo, por exemplo?

O Estado assume o monopólio forçado à ponta d’arma num determinado território, território esse que, para minha misérrima desesperança, inclui o meu torrão em Barco, Covilhã. Logo, se não se pode mudar, há que se ser eficiente. Que não gastar mais um chavo do que o necessário para se ter um nível razoável de qualidade de serviços. E por serviços do Estado, inerentes ao Estado e não delegáveis, incluo a produção legislativa, a administração da justiça, a diplomacia externa, a defesa nacional, a manutenção da ordem pública, os serviços de informações e a manutenção de um dispositivo de emergência e de proteção civil.

Não precisamos de um ministério da educação que não educa, de um ministério da economia que não gera riqueza ou de um ministério da agricultura que nunca viu uma couve na terra. Não necessitamos de um ministério da saúde que apenas existe para fazer as contas doentes (necessitamos serviços de monitorização da saúde pública, mas isso é outra coisa). Não necessitamos de segurança social que apenas torna o emprego impossível e as pessoas inseguras de si. Finalmente, não precisamos de uma miríade de assessores de porra nenhuma, essa expressão deliciosa proveniente do Brasil. Se os partidos acham que os assessores são necessários, pois que listem os assessores nas suas candidaturas e tirem as nulidades das Drago, dos Zorrinho e dos Bernardino.

Este foi um comentário meu para este artigo n'O Insurgente.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Notícias fictícias que até poderiam ser reais (I)

De acordo com o porta-voz Zurro do Carlos, o PS considera que os quase licenciados pelas novas oportunidades são os mais aptos profissionais de Portugal, e que o programa foi de extrema utilidade para o país.

O PS apresenta na sua comunicação o que escreve, numa mensagem por via eletrónica, um dos graduados:

sou quase-Licençiado nível 5 em Téc.de Sekretariado tive de ter muitas aulas de PortuguÊS pra vida e de datilografia 2º novo acordo. e como sabem voçês bem tenho muitas competências para o marcado de trabalho como dis o setôr lá nas aulas peço que me deiem uma oprotunidade para puder pruvar o meu valor, obrigado e tenham muitas felicidades

de gajomagano92@hotmail.com

Quando perguntado acerca da ubiquidade e persistência dos erros de pontuação, ortografia e de sintaxe da mensagem, o porta-voz pediu uma pausa. Após retornar, alguns minutos depois, com um dicionário na mão, retorquiu: «Como viu, o nosso exemplar formando mostrou as suas competências avançadas no domínio da criptografia».

Quando insistimos que «criptografia» é um neologismo bacoco para «cifragem», o porta-voz mostrou-se estupefacto e voltou ao dicionário. Visivelmente embaraçado, mudou de assunto.

Os Estados Unidos, a terra da pretérita liberdade.

A notícia no USA Today deixou-me abananado. Afinal, algo vai muito mal na terra da liberdade. As pessoas que criticarem o Obama terão escrutínio extra do IRS (o serviço de finanças do Governo Federal).

Sabemos que existe liberdade quando podemos fazer um insulto aberto ao governante sem que nos aconteça nada. Neste critério, em Portugal há mais liberdade hoje que nos Estados Unidos. Do modo como se critica o Passos Coelho, passando as bordas do insulto vácuo e imbecil, e como não ouço nada de a polícia ou as finanças andarem atrás dos manifestantes identificados), terei de concluir que vivo na pátria da liberdade.

A história mostra-nos que não é possível uma minoria enganar a maioria por muito tempo. Quarenta anos depois dos amanhãs que cantam, teremos de cantar. A canção é que não é a que os enganados achavam que cantariam. É, no entanto, a canção que os países que têm constituições que obrigam ao socialismo como a nossa andam a cantar.

Entretanto, em Portugal há liberdade. Há alguns casos de as finanças e da ASAE terem sido utilizadas para manter a bolinha baixa de empresários que criticam publicamente o governo. Noutros casos, quem contava anedotas sobre a licenciatura de Sócrates era despedido. Pesando a gravidade destes casos, eram pontuais. Mostram como o governo Sócrates via o país: a alguns suborna-se, a outros premeia-se, a alguns castiga-se e os restantes pagam. Por justiça, aqui distingo do PS, que só pecou por não ter vergonha do que o seu líder em nome do PS fez.

Referências:
ASAE investiga infrações na campanha do 1.º de maio do Pingo Doce: Havia quem não gostasse de Alexandre Soares dos Santos.
Estado indemniza professor da anedota sobre Sócrates: Sócrates prevaricou, o povo pagou.

sábado, 11 de maio de 2013

O Estado pretende proteger-me... de mim mesmo?

Na Inglaterra, o Estado pretende cortar no tamanho dos biscoitos por forma a controlar a obesidade. Veja quem lê inglês este artigo no Telegraph.

Será que aquelas jumentíssimas iluminárias nunca pensaram que, se uma pessoa se sentir insatisfeito com um biscoito, de imediato comerá outro?

Será que eu dei um mandato com o meu voto a essas candelárias do iluminismo para que me protejam de mim mesmo? Será que não posso gostar de biscoitos e resolver comer dois ou três em vez de um? E se eu e os meus filhos dermos cabo de um pacote de Bolacha Maria numa hora seremos acusados de alta traição?

terça-feira, 7 de maio de 2013

Burros em escudos ou em euros?

O nosso problema não está na nossa moeda, está no nosso Estado. Temos Estado a mais. Temos funcionários a mais, burrocratas a mais à espera de um tacho no privado, plutocratas infindos, beneficiários do rendimento mínimo e do rendimento máximo que acham que têm direito à substância do outro, emperresários gulosos pelos dinheiros públicos e uma banca que facilita tudo isto, claro que a juros. A banca adora o Estado, mancomuna-se com os políticos que querem deixar obra e com os emperreiteiros que querem vender quinquilharias e cimento. Este é o problema da economia portuguesa. Bem pior seria se não estivéssemos no Euro e tivéssemos de arcar com juros de dez, doze ou quinze por cento para colocar mais dívida à la Mr. Seguro nos ma-le-di-tos mercados.

Em suma, o Euro é um verdadeiro benefício. Falta apenas acabar com as obras que ninguém parece querer excepto o político que nela coloca o seu nome, a banca que avança com o dinheiro e cobra juros e o emperresário que quer cobrar uns cobres a peso de ouro. Assim nasce o Auditório Dr. Couro de Burro, a Piscina Dr. Couro de Burro e o edifício da Junta de Freguesia Dr. Couro de Burro na mesma localidade. O Dr. Couro de Burro não tem dinheiro nem o sabe ganhar. Isso de ganhar dinheiro é ocupação para broncos empresários (dos honestos) e bestas de carga. O Dr. Couro de Burro tira aos empresários e aos empregados o dinheiro para manter as obras dermo-asininas por este país afora.

Piorando o que já é mau, o Dr. Couro de Burro não se coíbe de dizer aos empresários (distingo dos emperresários e dos emperreiteiros) como devem gerir o seu negócio. Nem reconhece ou valoriza o facto de que a coisa pública, gerida pelo Dr. Couro de Burro, está um desastre autêntico. Se o José Labuta, empresário, quer montar uma oficina para cortar mármores, tem no mínimo trinta licenças a conseguir, numa gesta hercúlea, a cada uma das quais os Dr. Couro de Burro pôs um preço e um tempo de espera que raramente cumpre. O Sr. Labuta já teve de pagar o terreno para que fosse seu, comprar os materiais e a mão de obra para construir, e ainda assim tem de pagar ao Sr. Couro de Burro (e esperar meses ou anos) para que lhe deixe fazer algo de produtivo daquilo que já é seu.

Ainda assim, o Sr. Labuta não está a salvo do Couro de Burro. Irá ter de lhe pagar impostos estipêndios (adjectivação e nominação intencionais!) para quem pouco ou nada faz de produtivo, e que ainda gasta parte desse dinheiro a perroteger e perromover emperresários amigos do Dr. Couro de Burro.

Se por acaso o Sr. Labuta resolver dar com a boca no trombone e dizer publicamente o que acha do Dr. Couro de Burro, este manda-lhe os fiscais das finanças e da ASAE aborrecê-lo logo no dia seguinte. Já vi isto feito a tantos empresários que reconheço aqui uma prática perversa. No pensamento do Dr. Couro de Burro, o país existe unicamente para simples usufruto do Sr. Couro de Burro, a suprema carraça nacional.

Aqui está o problema. Pagá-lo-emos em escudos ou em euros.

Este artigo foi ligeiramente adaptado de um comentário meu a este excelente artigo n'O Insurgente. Vejam também esta excelente análise do Mário Amorim Lopes.

sábado, 4 de maio de 2013

Sugestão para a fiscalidade

Vá lá, contribua para o Estado Social...ista!

Uma coisa que os governantes portugueses não são é razoáveis. Os nossos meios de comunicação são exímios em clamar por justiça, e são completos idiotas pelo modo como o fazem.

Se queremos baixar os impostos à classe média, podemos usar o investimento estrangeiro em impostos baixos. Não com esta fiscalidade opressiva, com certeza. Mas se fizermos um pequeno acerto na fiscalidade, podemos captar impostos das grandes fortunas que andam desavindas com o esquerdérrimo Hollande, o coveiro da França.

No código do IRS deveremos ter presente que dez por cento de muito é mais que cem por cento de nada. A meu ver, os ricos podem facilmente mandar lixar o Sr. Hollande ou o Sr. Coelho ou o Sr. Rajoy mais depressa que qualquer um de nós, movendo os seus capitais para onde lhes aprouver. Eu pago quantos impostos me impõem, e um rico paga quanto quer pagar.

Setenta e cinco por cento de nada é nada. O zero ainda continua a ser o elemento absorvente da multiplicação, mesmo da fiscal. Por mim, a solução para que os ricos queiram ser taxados em Portugal é apenas uma: taxem os rendimentos acima do milhão de euros a 10%.

Consequências

Passamos a perna no Hollande e talvez tenhamos a fortuna da L'Oreal em Portugal, já que o celebérrimo Depardieu anda nestes dias a aprender o alfabeto cirílico.

Mais do que isso, trazemos talento para fazer dinheiro para Portugal. Naturalmente, se um rico vem viver para Portugal, criará empregos qualificados e não qualificados por cá (nenhum rico trata dos seus impostos ou faz a sua cama). Ainda melhor, com grande probabilidade a próxima ventura comercial ou industrial poderá também ser por cá, se o ricaço não tiver esta burrocracia (grafia intencional!) labiríntica de que nos enferma o licenciamento industrial, essa máquina infernal que faz frustrar o santo mais paciente.

Que temos a perder?

Poderemos conseguir 10% dos milionários da Europa, ou pelo menos 20% dos que deixaram o Hollande por Londres (e que até foram tão poucos que já se fala em Londres no 21º Bairro de Paris). Temos melhor clima que os bifes, paz social e, a cereja em cima do bolo, um povo que aprende línguas como poucos no mundo.

O próprio Sr. Hollande afirmou que a taxa de 75% iria afetar em França apenas 2000 a 3000 pessoas. Este número é por baixo, dada a dimensão da França, mas assumamos 2000 pessoas a ganhar mais que um milhão de euros. Isso significará, só nestes números e pelo plano de fiscalidade que aqui defendo, 2000 milhões de euros taxados à taxa normal e o excedente à taxa reduzida. Só fazendo contas a 25% de 2000 pessoas a ganharem cerca de dois milhões de euros, estamos a falar de cerca de quinhentos milhões de euros (na quota até ao milhão) mais outros quinhentos na quota acima. Isto levaria a uma colecta de 250 + 50 milhões de euros, ou 300 milhões de euros. Só potencial da França! Com sorte, até teríamos espanhóis, alemães e ingleses a criar o primeiro bairro multilinguístico de Portugal em Cascais (e a pagar impostos aqui).

10% cento de muito é melhor que 75% ou 55% de nada. Pensem nisto os nossos governantes, se sabem fazer contas.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Subscrevo!

A complicação introduzida na emissão e no controlo das facturas, que quase inviabiliza a actividade de numerosos sectores, dificuldades essas sentidas na distribuição de energia, na recolha do leite e na utilização da logística moderna. Porque o esquema tradicional de produtos distribuídos pelos próprios veículos das empresas a um cliente final já não acontece. Toda esta burocracia é complicadíssima. É incompreensível que um país que quer estimular a actividade económica e atrair investimento estrangeiro tenha na área da fiscalidade uma dificuldade tão grande e crescente. As empresas, na sua esmagadora maioria, pagam os seus impostos. Mas precisam de saber com segurança o que devem pagar, o que não pode ser permanentemente tão confuso. E os prazos de resolução do contencioso fiscal não podem ser de anos, como agora.
Ferraz da Costa, em entrevista ao jornal I.

Diz e tem razão. É neste momento arriscar-se a levar uma paulada de saco criar uma empresa. A Grande Carraça (sim, o Estado), no esforço de se manter, vai matando o cão (o povo, o que está no setor privado). Este cão não pode aguentar uma carraça tão grande. E certamente não é com medidinhas de cortezinhos e rescisõezinhas voluntárias ou voluntarinhas que lá chegamos.

Há que ser duro, para que os nossos netos não tenham de pagar os nossos desmandos. Os nossos filhos irão invariavelmente pagá-los. Irão pagar festas como a Parque Escolar quando a população escolar for metade daquela que é hoje. Irão pagar autoestradas que ninguém usa. Irão pagar funcionalismo parado. Tudo coisas compradas hoje para se ir pagando.

Mais do que isso, irão pagar as empresas que não se formam hoje nesta voragem fiscal. Irão pagar as pessoas que hoje estão a receber uma educação cara demais (pois muitos professores pagos não dão aulas) e que, e bem!, irão emigrar. Irão pagar as retroescavadoras que foram compradas pelas câmaras municipais e que não trabalham. Essas estão a ser pagas (digo eu sempre!) à taxa de juro mais alta das dívidas das autarquias, as das dívidas de tesouraria, que excedem sempre os 5%, fora contratos de manutenção que aos juros acrescem. Tudo para pagar pelos meus filhos e pelos seus filhos.

Ficaria feliz se pelo menos deixássemos de fazer estes desmandos para que os nosso filhos, se forem mais inteligentes do que nós, ainda sejam capazes de resolver de uma vez por todas as dívidas que lhes legamos.

sábado, 27 de abril de 2013

Informação pertinente

Se alguém quiser conhecer os principais responsáveis pelo estado do país, basta ligar a televisão. Estão em conclave em Santa Maria da Feira.

Sugiro que selem as portas do complexo por soldadura a arco e alimentem os meliantes de tempos em tempos.

Infelizmente, o capo dei capi não está presente. Parece que andou por Paris, e agora anda invisível na RTP.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Pergunta pertinente

Se o 25 de Abril foi tanto o Dia da Liberdade, porque é que quase todas as forças de esquerda que se clamam dele herdeiros foram contra as eleições da assembleia constituinte de 1975?

Será que é por não gostarem de liberdade? Ou a liberdade para estas ideologias não passa por eleições? Talvez pensem que eles estão certos e o povo errado. O povo, para eles, não poderia escolher o seu futuro. Não é essa a antítese da liberdade, essa ideia de que sejam alguns a escolher por todos?

Mais uma anedota soviética

As primeiras eleições soviéticas aconteceram quando Deus apresentou Eva a Adão e lhe disse «escolhe a tua esposa».

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Bomba chinesa ao retardador

Para quem me pergunta, há muito que digo que a economia chinesa não é tão boa como diz que é. As taxas de crescimento da economia chinesa são baseadas em estatísticas iguais às soviéticas: falsas.

Uma agência de investimento baseada em Hong Kong, a Robeco, parece concordar comigo, neste artigo. A Robeco espera que a China entre em recessão de surpresa, quando estoirarem as várias bolhas dentro do país: a imobiliária, a industrial, a do crédito, a da dívida das cidades e tantas outras bolhas que nem nos apercebemos que estão lá.

A esta há que adicionar a mentira estatística.

Mas o que é isso significa para os portugueses? Em primeiro lugar, a China é um dos países onde as nossas exportações mais crescem: as exportações de bens quase duplicaram em 2012. Por outro lado, entrando a China em recessão, arrastará os Estados Unidos, outro país de bolhas prestes a estalar, outro dos nossos maiores mercados.

As exportações poderiam ter crescido mais, mas tivemos estivadores em greve durante os últimos meses do ano, e isso afectou muito a capacidade de as empresas entregarem a sua produção além-mar. Especialmente antes do Natal.

Em jeito de remoque, temos de considerar a possibilidade de exportar os nossos estivadores, se alguém algures for louco o suficiente para os tomar. Ou pura e simplesmente privatizar os nossos portos com zero canga em recursos humanos.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Ora um artigo com que eu concordo!

A minha opinião sobre este artigo é de total concordância, como aliás já tive ocasião de expressar neste artigo do Remoques!

O estado do Estado não se recomenda. Há funcionários a mais. Há coisas que pensa fazer (como políticas de emprego ou de crescimento económico) que saem ao contrário. Por exemplo: a ver pelas avaliações da educação, a educação pública está a milhas de ter a qualidade técnica e pedagógica dos bons colégios privados. O Governo de Portugal não só tem como paradigma o conceito de que é o Estado que comanda a sociedade, como acha que é a sociedade que deve servir o Estado. As carraças também pensam que os cães foram criados com o magno propósito de servir as carraças.

Os resultados de 39 anos de democracia são deploráveis: dívida, desemprego e depressão. Será isso surpreendente?

Será esse um problema inerente à democracia? Não, não é! É um problema da nossa democracia. Por mais que vociferemos contra o sistema de partidos, temos de partir do princípio de que estes estão longe de acabar. O sistema é muito útil a quem manda, e por isso tende a perpetuar-se.

Por enquanto a escolha portuguesa é entre o Super-Homem de Massamá e o Tó-Zero Batam-me, o sem-pressas. Os outros à esquerda são os representantes e herdeiros legítimos das piores ditaduras da humanidade. À direita existe um partido que sofre de uma crise de identidade, clamando-se do contribuinte, mas afinal tão socialista e despesista como os outros. O maior problema não é ser impossível recuperar com estes políticos, pois os políticos são eleitos pelo povo que vota e só lá estão com a sua permissão e anuência. O maior problema de Portugal é que com estes portugueses não vamos lá!

Mais um instituto a desbandar

Quando a minha atividade de formação amainou no fim do ano passado (associado a um monte de calotes que estão pouco a pouco sendo resolvidos) resolvi cessar a minha atividade como formador. No dia em que a cessei, dirigi-me ao Instituto de Emprego e Formação Profissional para saber o que havia de ofertas para mim.

Achei estúpido que, havendo mostrado interesse numa determinada oferta, a funcionária do IEFP não telefonasse para a empresa por forma a marcar uma reunião ou pelo menos perguntar se poderia lá ir. Nem sequer me disse de que empresa se tratava, para que me candidatasse de minha própria volição. Em vez disso, limitou-se a atualizar a base de dados, a preciosa base de dados! Depois, disse-me, poderia pelo sítio do IEFP candidatar-me à oferta (esse foi outro aborrecimento, pois não consigo recuperar a senha, de que me esqueci, apesar de ter tentado enviar mensagens ao suporte técnico).

[Resta dizer que entretanto a atividade de formação se reiniciou, e vou recebendo convites, sendo que o meu problema já é conciliar a agenda em Maio. Mas isso é outra história.]

Afinal sou jovem

Recebi uma convocatória, na qual fui a duas horas de esfrega sobre o programa Impulso Jovem, na qual, apesar do meu aspeto e de me perguntarem ainda se tenho o Cartão Jovem, não me posso inserir, pois nasci em 1970. Como eu, muitos, até mais velhos. À laia de aparte, preferia ter experimentado se a convocatória poderia ser deglutida por uma funcionária acomodada, à minha frente.

Afinal estava na base de dados!

A segunda inutilidade

Recebi ontem uma convocatória para o outro lado do país. O meu currículo é manifestamente excessivo para tal vaga, o que não me assusta pessoalmente, pois estou disponível para qualquer tipo de trabalho honesto. Sei no entanto que as empresas procuram não contratar licenciados para funções técnicas, pois sabem que estes licenciados sairão assim que obtiverem uma nova oferta, mais choruda e adaptada às suas capacidades. Tenho três dias, segundo a dita convocatória, para obter um carimbo da empresa ou saio da base de dados (g'anda chatice!).

Perguntei então ao IEFP (retiro as fórmulas formais e a identificação da desfuncionária, a primeira por brevidade e a segunda por, digamos, cortesia):

No decurso desta convocatória, peço a Vas. Exas. que me prestem a seguinte informação:

1) A empresa em questão (Especialidades Minerais SA) recebeu o meu curriculum vitae e predispôs-se a entrevistar-me, ou esta convocatória trata-se apenas de uma formalidade?

Gostaria de marcar com a empresa uma entrevista, e gostaria se saber quais as diligências (em as havendo) tomadas pelo IEFP, com o fito de adequar a mensagem que transmitirei.

Veio a resposta (se é que houve resposta).

A carta que recebeu será para contatar a empresa (marcar a entrevista ou dirigir-se diretamente à entidade).

Pergunto alhos, respondem-me bugalhos. Ou não sabem ler português ou esquivam-se às perguntas. Insisto.

Agradeço a resposta pronta à minha mensagem, contudo verifico que a pergunta que fiz não foi respondida. Relembro que esta é se a empresa em questão recebeu o meu curriculum vitae, e se, havendo-o recebido, demonstrou interesse em receber-me. A mensagem que enviarei, obviamente, diferirá consoante a resposta a estas perguntas.

A resposta veio finalmente.

As empresas não recebem quaisquer currículos dos candidatos inscritos nos serviços de emprego.

A carta de apresentação serve para o candidato fazer o contato com a empresa e, se for necessário, o próprio é que entrega o seu currículo.

Então o IEFP manda AOS CANDIDATOS fazerem perder o seu tempo e o das empresas (como se elas vivessem de fazer as vontades ao importantíssimo e divinal Instituto e de carimbar as folhas dos candidatos), sem sequer fazer um papel de mediação, como fazem a Randstadt e a Tempo Team! Ao menos estas fazem o seu negócio (carcanhóis, massa, graveto) procurando verdadeiramente adequar os candidatos às empresas que querem contratar. Se não adequam, as empresas deixam de recrutar por elas, e a Randstadt ou a Tempo Team morrem.

Ah, se eu me borrifar à convocatória, pois a sua probabilidade de aceitação é de tal forma diminuta que os custos de deslocação não se justificam, sairei da preciosa base de dados e deixo de lá poder estar por 90 dias. Como se o facto de eu lá ter estado me tivesse adiantado alguma coisa!

Em conclusão

O IEFP existe primordialmente para providenciar trabalho e salários aos seus funcionários. Podemos asserverar com confiança que é a mais cara estrutura de gestão de base de dados de Portugal. Se o IEFP existe somente para manter uma inutilíssima base de dados, podem bem assegurar essa gestão através de uma pequena estrutura privada. Em boa verdade, a Randstadt e a Tempo Team fazem mais pelo emprego em Portugal que o IEFP, e a uma fração diminuta dos custos do primeiro.

Extinga-se de vez o IEFP. Estamos a pagar sem retorno funcionários acomodados, sem objetivos e sem brio profissional. Mas porque não quero ser inútil, dou aos senhores uma instrução em SQL para usarem na preciosíssima base de dados, menina dos seus olhos e propósito das suas existências.

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segunda-feira, 22 de abril de 2013

Estadofeudalismo

Gráfico de quanto o Estado recebe pelo trabalho dos outros.
Quanto o Estado recebe pelo trabalho dos outros

Alerto a vossa atenção para este artigo excepcional de Carlos Guimarães Pinto n'A Montanha de Sísifo.

Se há quem ponha o dedo na ferida, é o Carlos. O Estado anda-nos a levar tudo. Para quê? Para manter mais ou menos intactos os privilégios das mesmas classes de dependentes do Estado.

O Carlos Guimarães Pinto apenas se esqueceu, na imagem, de que o Zé terá de pagar Segurança Social pelo seu próprio emprego. Os 401 euros que sobram ao Zé dos 3000 que fatura ao cliente são na verdade menos. De qualquer forma, o artigo é indesmentível e as suas conclusões corretas: não é possível haver empreendedorismo em Portugal enquanto o Estado for o principal beneficiário do empreendedorismo alheio. Não se pode pedir ao português que arrisque para não receber, que se semeie para que outros comam o fruto.

Estadofeudalismo! O Estado trata-nos como servos da gleba.

40 anos do Partido Socialista

Obrigado, Partido Socialista, por seres o direto responsável por 3 bancarrotas com chamada ao FMI. Obrigado pelo Narciso Miranda, pela Fátima Felgueiras, pelo Jorge Coelho e pelos seus semelhantes; e a ainda pelo António Guterres e pelo José Sócrates, estes dois últimos os coveiros de Portugal.

Obrigado por autoestradas onde ninguém passa, pela autossuficiência energética que afinal tenho de pagar todos os meses, pela RTP gorda que eu tenho de pagar todos os meses, por uma dívida que eu tenho de pagar todos os meses, por mais de um milhão de funcionários do Estado que eu tenho de pagar todos os meses, por haver-se desbaratado as posições que tínhamos de dívidas de outros países que em 1995 tínhamos em nosso poder. Obrigado pelos pelos compromissos que fizeste para o futuro em meu nome, onerando as gerações minha e dos meus filhos. Obrigado pelas PPP (Paga o Palerma do Povo) que nos endividarão por décadas.

Obrigado pela tua visão de desenvolvimento, que apenas desenvolveu os bolsos de alguns dos teus militantes. Metade dos teus líderes, em outros países, já teria sido linchado publicamente, e resta o estado de direito para que estes possam vir mandar postas de pescada às televisões como a coisa pública deverá ser guiada, sem qualquer vergonha por terem levado o país à bancarrota.

Parabéns pelos teus quarenta anos. Teres sobrevivido mostra o como estamos em democracia, mais para a cleptocracia. Agora, não me peças para te desejar mais 40 anos de vida. O país simplesmente não aguentaria.

A lista de críticas a fazer ao PSD é igualmente extensa. Contudo, em boa verdade, não tem nem as três bancarrotas nem o grosso das PPP.

sábado, 20 de abril de 2013

Uma anedota soviética real

O Álvaro Cunhal visita uma pocilga industrial no Alentejo e deixa-se fotografar. Nesse mesmo dia, na redação do Avante discute-se qual a legenda a dar à fotografia que ilustrará o relato dessa visita.

«Álvaro Cunhal e os porcos», «Álvaro Cunhal entre porcos», «Porcos rodeiam o Álvaro Cunhal» e «Alvaro Cunhal em frente a porcos» são rejeitadas pois podem ser material de chacota (entre os quais por aqui, no Remoques!) Após deliberação unânime, a legenda escolhida é: «Camarada Álvaro Cunhal, o terceiro a contar da esquerda na fila da frente.»

Ao cuidado de Pedro Passos Coelho

Pedro Passos Coelho, gostaria de lhe lembrar que eu votei num liberal. Em si, naquilo que é hoje, não foi de certeza.

Um liberal iria diminuir o papel do Estado na economia, talvez para 15% a 20%, não o deixaria aumentar. Um liberal iria diminuir o número de leis, decretos, portarias e minúcias, e não criar mais confusão no edifício legislativo português. Um liberal iria manter os tipos da ASAE em modo pedagógico, não a avançar logo com o bloco de multas. Um liberal nunca permitiria que algum qualquer industrial tivesse 17.000 páginas de legislação que lhe pertinem para ler, mais ou menos a altura de um homem em folhas empilhadas. Nunca permitiria que um simples café precisasse mais de vinte papéis e autorizações para entrar em funcionamento. Um liberal nunca permitiria que uma exploração de aquacultura pudesse estar anos a fio sob o terror burocrático sem poder iniciar obras.

Um liberal nunca iria permitir que os pais tivessem de gastar trezentos euros por ano em livros escolares por aluno por causa dos sempiternos conluios entre editoras, funcionários do ministério e professores. Um liberal nunca permitiria que 50.000 professores estivessem sem dar aulas, apesar de continuarem a drenar dinheiro de contribuintes que ganham três ou quatro vezes menos do que eles. Um liberal nunca permitiria que nas câmaras municipais os armazéns estivessem cheios de trabalhadores especializados enquanto o trabalho real é adjudicado, a preços acima de mercado, muitas vezes sem concurso público e sempre aos amigos dos presidentes de câmara.

Um liberal não teria permitido que as PPP da energia e das autoestradas continuassem como estão. Se é verdade que é difícil lutar contra as leis blindadas por Sócrates, pelo menos teria dado luta e feito esses manigantes suar as estopinhas e chorar de raiva e de medo. Um liberal a sério não permitiria que o mercado liberalizado de energia e de comunicações tivesse tantas barreiras burocráticas e administrativas à entrada que na prática apenas uns poucos pudessem cartelizar os preços e cobrar quanto quisessem.

Um liberal teria desregulado a economia, baixado o número de papéis e de autorizações, teria acabado com leis feitas à medida de empresas incumbentes para eliminar concorrência. Um liberal teria despedido na função pública, para que o Estado fosse menor e mais ágil, e pesasse menos nos ombros dos infelizes e forçados contribuintes que o carregam. Um liberal não teria mentido ou dourado pílulas sobre o estado da Segurança Social, passando para os nossos descendentes, os meus filhos e os seus, encargos dobrados que poderiam ter sido resolvidos nesta geração e que deveriam ter sido acautelados na anterior.

Pedro Passos Coelho, o senhor não é liberal nenhum. Peço por favor que se assuma como é publicamente, um socialista, apenas espartilhado por o crédito se ter acabado. O seu governo é na essência igual a um hipotético governo de António José Seguro, apenas menos mau nos efeitos porque o outro é um completo Tó Zero. Rogo-lhe por isso que diga de uma vez por todas o que o faz achar ser liberal. Eu, que o sou, em si não acho nada.

Quando falo da China...

... digo sempre que é uma nação com pés de barro, como a estátua do sonho de Daniel. Sempre me retorquiram que os chineses vão dominar o mundo, que eles é que estão bem. Digo, redigo, afirmo e reafirmo que a China se vai esfrangalhar ainda no decurso da minha vida, e talvez mesmo não assista incólume ao fim desta década.

Desta vez tenho um aliado insuspeito na minha argumentação: o jornal Pravda, sim, o Pravda! Um acutilante artigo de Anastácia Garina (sei lá quem é a senhora, mas tenho de citar o nome) diz tudo na última frase: "В китайской экономике начался процесс коррекции.", ou traduzindo para os nossos não russófonos, «A economia chinesa iniciou o processo de correção».

Eu sei bem que há americanos que andam a dizer isso desde há mais de dois anos. Ao que parece, existe um crime capital neste mundo que é ter nascido americano. Um americano, aqui pela Europa, apenas se porta bem quando vota no Obama, mesmo que esteja a dar um tiro no pé e a comprometer o futuro dos Estados Unidos e por arrasto da Europa. Uma vez que o Obama tome o poder (e tomou, por ou pelo menos com fraude confirmadíssima!), os Estados Unidos, mesmo sob Obama, serão outra vez os maus de qualquer fita. Russos, contudo, no ainda socialíssimo e anti-americaníssimo Pravda, juntam-se às vozes dos primeiros.

Afinal o mesmo artigo andava por lá em inglês.

Da decadência

A decadência moral, a preguiça e a dívida são as raízes da nossa decadência. Quando bem mais de 50% da sociedade vive pendurada no Orçamento de Estado (nem todos são pensionistas que descontaram), preferindo muitos viver à custa dos rendimentos mínimos do que trabalhar para viver; quando outros preferem viagens a Punta Cana a ter de aturar filhos; quando professores são contratados para não dar aulas o Ocidente verá o seu fim como o Império Romano, por muito menos do que estamos a viver hoje, já viu.

No Ocidente estamos formatados pelo pensamento greco-romano, linear, e pela ideologia marxista, que aponta para um progresso inexorável e eterno. Faz sentido, pois ninguém em seu bom senso deixa uma tecnologia e um modelo de sociedade melhor por um menor. Contudo, a humanidade por vezes mostra pouco bom senso, e a disrupção dos circuitos económicos provocados pela catástrofe, pela guerra, ou pela peste, levam a que haja realmente retrocessos civilizacionais (não se tome por favor esta palavra naquela acepção que os ignorantes papagaios jornalistas andam, sem saber do que falam, a fazer dela destes dias). Na peugada do império de Roma aconteceu a Baixa Idade Média. O socialismo na Argentina trouxe a decadência a um país que no início do século XX rivalizava com os Estados Unidos. A Nigéria já foi auto-suficiente e exportadora de alimentos (depois descobriu-se petróleo). O Zimbabué era o celeiro de África.

A história prova-se cíclica, e as civilizações, à grande escala, tal como os indivíduos, têm um fim. Por vezes esse fim é a aglutinação em outras ordens (Babilónicos->Medos->Persas->Gregos->Partos). Por vezes é o simples resfolegar na lama, até que nova ordem apareça (Europa após o Império Romano). Na minha opinião, o egoísmo será a queda da Europa. Não há crianças que sustentem a Europa e das outras ordens ascendentes, digamos que no mínimo são muito pouco recomendáveis.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

De quem anda nestas coisas da manutenção industrial.

Peço a todos os que gostem da sua vida e da dos outros que sigam uma regra muito simples que estou sempre a ver desrespeitada:

Quando uma qualquer máquina estiver em manutenção, cobre-se o interruptor principal no quadro elétrico com várias camadas de fita-cola da grossa. Na fita cola escreve-se (ou num papel colado nela): EM MANUTENÇÃO. J. SILVA.

Deve constar lá, como vemos, o nome do técnico responsável, o único que pode tirar a fita cola ou mandar tirar. Quem quer ligar a máquina fala primeiro com o Silva (nome fictício). Muitas vezes as pessoas não sabem que a máquina está em manutenção e o técnico pode estar ausente ou, pior, invisível no meio da máquina.

Vi ainda hoje a regra, tão simples e tão útil, a ser desprezada numa máquina onde estava a fazer manutenção. Tive de a ensinar de novo. Salvem vidas. Divulguem.

Há vezes em que se não pode deixar de fazer um elogio

A polícia portuguesa (PSP, PJ e GNR sem distinção) é educada e profissional. É um motivo de orgulho para todos nós. Se abusadores há (e acaba por havê-los, como em todas as profissões) são espaçados por anos. Há que reconhecer que a imagem do polícia bruto e intolerante, uma besta quadrada em duas pernas, já morreu há mais de trinta anos atrás.

Quando ouço alguns espécimes que se assemelham fisicamente aos seres da espécie Homo Sapiens Sapiens javardar o comportamento das nossas polícias, apetece-me mandá-los para África, onde estive. Ou para a Coreia do Norte, Cuba, Venezuela e outros países onde a polícia é parte do aparelho de repressão. Nada disto, felizmente, encontramos em Portugal onde a polícia, se de algo pode ser acusada, é de excesso de contenção e de civilidade para quem não a merece.

Aos agentes e comandantes e soldados e investigadores e tantos outros que zelam pela nossa segurança e pela limpeza (a raiz da palavra italiana polizia) dos elementos perturbadores da nossa ordem social, estendo o meu sincero elogio.

(Em jeito de remoque, não posso estender este elogio aos nossos legisladores, aos nossos advogados e aos nossos juízes. Quando um caso como o de Isaltino de Morais consegue andar anos a fio sem nada de concreto, algo anda mal na justiça injusta da República Portuguesa.)

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Se o comunismo era o Sol na Terra...

... porque é que as sentinelas do Muro de Berlim não estavam viradas para fora, vigiando o mundo livre, mas para dentro, impedindo quem quisesse sair do paraíso de dar de frosques?

Contradizendo os israelitas

A terra prometida não é Israel, é Portugal. E com a aproximação das eleições autárquicas o que disse vai mais uma vez ser confirmado.

A confissão do José Djugashvili

A sacerdotisa vermelha Odete Santos diz que o Estaline era um santo. Fosse santo ou não, fontes muito mal informadas dentro da nomenclatura russa têm uma explicação para o bigode honesto, farfalhudo e admirável do homem que mandou milhões para a morte e sujeitou um povo inteiro à opressão. E que tem a ver com o nosso país.

Ao que se sabe hoje, Estaline tinha um sonho que nunca chegou a realizar, por causa das vicissitudes do poder. Por este sonho ele manteve o seu bigode impecável desde os anos 20, talvez como lembrete ou identificação à sua imagem futura. De acordo com as nossas fontes, Estaline queria reformar-se, o que não chegou a acontecer por causa da emergência da II Guerra Mundial. Queria deixar a União Soviética e a política, mudar-se para Portugal e viver o resto dos seus dias como sargento na GNR.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Banco de fomento?

Quando me faltam em bancos de fomento, é disto que me lembro. Já agora, o que é que faz um banco de fomento que a Caixa Geral de Depósitos ou o Millenium ou o BES ou o BPI não possam fazer?

Vendo a SIC Notícias...

Ao ver o Negócios da Semana de hoje, serei o único bípede em Portugal a querer dar a todos exceto ao moderador uma boa série de bofetadas?

Afinal sempre há humor cubano...

http://www.humorcubano.com/wp-content/uploads/2012/10/530664_519072094788065_1707581256_n.jpg
MANIFESTANTE: Abaixo o criminoso bloqueio de Cuba?
OUTRO: Qual bloqueio? O dos Estados Unidos ou o da alfândega cubana?

O socialismo não é vítima do capitalismo. É vítima de si próprio. Sempre me fez confusão como os cubanos poderiam estar a culpar os Estados Unidos da sua própria situação de miséria se os países socialistas são supostos serem o sal da terra, o paraíso dos trabalhadores e os campeões da produtividade.

Lenine chegou a escrever, muito ingenuamente:

“O capitalismo pode ser completamente obliterado, e sê-lo-á pelo socialismo que criará uma nova e muito maior produtividade do trabalho. Este é um assunto da maior importância e deverá levar muito tempo; mas foi começado, e isso é o principal. (...) O comunismo traz a maior produtividade do trabalho (comparada com aquela que existe sob o capitalismo), por trabalhadores esforçados, conscientes da sua classe e unidos, utilizando as técnicas mais avançadas.” (Poln. sobr. soch., 5.a ed., vol. 39, pp. 21, 22)

Palavras são sempre simples de dizer: vamos aos números.

Segundo Remco Kouwenhoven, neste estudo, a produtividade da indústria soviética esteve a cerca de 40% da produtividade da indústria americana no período considerado, enquanto a produtividade por trabalhador se reduzia a menos de 1/3 (29% em 1987, no auge da URSS). Os trabalhos de Galenso (1955), de Nutter (1962), de Schroeder (1964) e de uma miríade de outros autores também situam sempre a produtividade em menos de 50%. Na verdade, apenas Kats (1964) dá uma estatística global de 48% para o ano de 1960. Todos os outros autores estimam a produtividade comparada em perto dos 30%. Resta dizer que o estudo de Kouwehoven usa estatísticas publicadas pela Confederação de Estados Independentes, a herdeira da URSS.

Lenine tinha razão: o capitalismo só poderia ser obliterado se o socialismo possuísse uma maior produtividade. Mas nunca a produtividade do socialismo se comparou à dos países de economia livre. Engraçado que num país como Cuba, sol na terra e paraíso do socialismo, Raúl Castro tivesse de declarar perante o parlamento cubano que tem de de apagar para sempre a noção de que Cuba é o único país onde se pode viver sem trabalhar.

O estudo de Kats é engraçado num ponto: nos produtos de panificação, a indústria soviética era 35% mais produtiva que a indústria americana. Fico por saber como então se faziam filas para comprar pão e faltas sucessivas deste bem essencial.

O Sócrates não é coxo. Mais depressa se apanha.

Gráfico da posição da dívida externa líquida desde 1996 até hoje. Fonte: Banco de Portugal.

O Narrador quer refazer a história. Para ele, é a crise internacional que despoleta a crise da dívida. Vejamos o gráfico, que vem do próprio Banco de Portugal, daqui. Em 2008, a descida do gráfico (que nos diz que estamos a contrair dívida) já é de antes.

A crise de dívida inicia-se com Guterres, em 1997, tem um interregno com Barroso e Santana Lopes (2002 a 2005), e ei-la a disparar com o troca tintas da narrativa.

Senhor Sócrates, pode julgar que os portugueses são estúpidos. Ele há-os, mas não são todos. E no que toca à credulidade e falta de bom senso, juraria eu que os encontramos quase todos na esfera socialista.

Saber fazer contas...

Os socialistas de coração grande e mente dúbia parecem muito alegrados com a notícia de que a Alemanha subiu a sua dívida para 81,9% do PIB em 2012. Esquecem-se de ver na mesma notícia que a Alemanha teve um excedente de 4 mil milhões de euros no mesmo período.

Ora, se a Alemanha tem excedente, não pode acumular dívida. A menos que...

... tenha pedido dinheiro para emprestar aos primos pródigos do Sul que andam às avessas com os credores.

Conclusões

A dívida alemã feita para emprestar a Portugal vai ser completamente saldada por nós, a menos que haja barbeiro. Assim que a dívida for saldada, a situação alemã estará melhor do que está hoje, via diferencial de juros. Na verdade, tomara eu que as razões para aumentar a nossa dívida fossem as mesmas que as da Alemanha.

Mais uma vez o óbvio sobressai: o problema foi sempre português. A formiga, tal como no conto de La Fontaine, está a ajudar a cigarra ex-socratina a passar o Inverno.

Os sete grandes milagres do socialismo

HOMEM: "Vejam lá quantos rebuçados vocês têm. Vou tirar-vos metade e dá-los às crianças demasiado preguiçosas para irem por si próprias festejar o Halloween."
CRIANÇAS: "Ora, bolas! Um democrata!"

Aqui estão os sete milagres do socialismo, na sua versão cubano-coreano-soviética:

  1. Não existe desemprego, mas ninguém trabalha.
  2. Ninguém trabalha, mas os planos quinquenais são cumpridos.
  3. Os planos cumprem-se, mas ninguém compra nada.
  4. Não há nada que comprar, mas lojas em cada bairro.
  5. Por todas as lojas há filas, mas estamos no meio da abundância.
  6. Estamos no meio da abundância, mas estamos insatisfeitos.
  7. Estamos insatisfeitos, e apesar disso as autoridades têm o apoio da população.

Já li esta anedota em russo e em espanhol. Ela foi criada no meio da União Soviética, não no capitalíssimo Ocidente. Por que razão estamos na Europa a repetir os erros que não geraram senão miséria, escravidão, grilhetas, incapacidade e tristeza geral?

terça-feira, 16 de abril de 2013

Sair do Euro? Iria ser bonito...

A saída do Euro anda aí a ser propalada como a panaceia para todas as doenças económicas que temos. Eu, que não sou economista (apesar de ter tido notas a Microeconomia e Macroeconomia maiores do que as da maioria dos economistas desta praça), não posso concordar com tal dislate. O Euro é precisamente o que nos manteve em pé até hoje. Se saíssemos do Euro neste momento, empobrecer deixaria de ser uma palavra a discutir; passaria a ser uma fatalidade ineludível.

Ora, façamos um pequeno exercício. Cerca de 1/4 do que nós compramos são produtos energéticos. Estes produtos (petróleo e eletricidade) são cruciais para o funcionamento da nossa economia moderna. São-nos comparativamente mais baratos hoje a importar porque temos por cá o euro. A esses produtos somam-se os 4 mil milhões de euros de saldo importador de produtos agrícolas e outro tanto de outros bens de primeira necessidade. Se tivéssemos o Cascudo, ou o Novo Escudo, desvalorizado 1/3, a gasolina, as cenouras e o sabonete seriam comparativamente vez e meia mais cara para cada um de nós.

Há também que ver quais são as nossas exportações. Portugal exporta o segundo par de sapatos mais caro do mundo, na peugada da Itália. Para o comprador, mais ou menos um euro no sapato não faz diferença. Se o comprador quisesse sapatos baratos, comprava-os na China, a cerca de 1/5 do sapato português. Esta indústria não tem muito a ganhar com o fim do Euro. Afinal, o produto produzido é de margem, e a utilização do euro dá segurança ao comprador e beneficia a imagem do país.

Finalmente, uma das colunas no cômputo das exportações que se tem mais destacado é a de máquinas e equipamentos, a qual vale, imagine-se, um terço das exportações portuguesas. O produto máquinas e equipamentos leva muitos ativos energéticos (calor, eletricidade) na sua fabricação. Os ganhos em mão de obra interna por haver uma moeda desvalorizada são residuais. E, mais uma vez, é um produto de margem elevada.

Não me consta que Portugal tenha perdido exportações por causa da moeda ser forte precisamente nestes setores, onde a qualidade se paga e a margem é atrativa. Porquê então sair do Euro e acabar com a balança comercial positiva que temos? Acha alguém mesmo que iremos como país exportar muitos mais pares de sapatos se os pusermos um euro ou dois mais baratos, por passarmos a usar internamente o Cascudo?

As vantagens ganhas por uma data se setores de atividade dependentes da procura interna (restauração, construção civil, banca e seguros, comércio e restauração) serão obviadas por:

  • o que teremos de pagar na bomba de gasolina e à companhia que nos fornecer os eletrões (33% a mais, comparativamente ao que nos custa hoje);
  • o aumento comparativo em 30% da nossa dívida, assumindo 3% de crescimento económico no primeiro ano;
  • o aumento de défice do Estado para 15% ou 20%, devido ao peso dos juros em euros contra a coleta em Cascudos;
  • a diminuição relativa de produto interno em relação ao estrangeiro.
Numa palavra, empobrecimento. Geral. Incontornável. Mascarado, é certo, sob a desvalorização cambial mas, não obstante, empobrecimento real.

Oito maneiras de reconhecer um mentiroso

Vá ao Largo do Rato, à sede dos socialistas. Olhe para Norte, Sul, Este, Oeste, Nordeste, Sudeste, Noroeste e Sudoeste.

Basta.

Da lei de limitação de mandatos autárquicos

Não consigo de modo algum estar de acordo com a famosa lei de limitação dos mandatos dos autarcas (a Lei nº 46/2005, de 29 de Agosto, a famosa lei «de/da»). Não me levem a mal, não é que deseje ver pessoas em cargos autárquicos que se iniciaram na Era Cretácea, e acho mesmo que a tal renovação de mandatos só melhora a democracia.

Contudo, para um tipo como eu, que vem da manutenção, existe um princípio que a tudo se sobrepõe: «equipamento que não falha não é mexido». De mim, que estou a pensar votar em branco nas próximas autárquicas na eleição para o presidente de câmara, e até defendo acerrimamente a limitação de quaisquer mandatos de deputados, de membros de governo («de» governo), pode-se pensar ser inconsistente. Não sou, e passo a explicar.

A diferença entre as duas eleições está na presença de movimentos independentes. Os membros dos movimentos independentes não são listados em partidos. Não têm a ascensão às listas sujeita à sua capacidade de manterem as suas mucosas orais junto do orifício anal de um qualquer oficial de partido. Não têm senão de se organizar, de apresentar a sua mensagem e de ser escolhidos pelos eleitores.

Lembro-me do que vociferaram os alistados em partidos pela hecatombe que seria a possibilidade de movimentos independentes concorrerem nas eleições locais. A hecatombe não veio, e há freguesias e municípios governados por tais movimentos. Ao contrário das disciplinas partidárias e mesmo trans-partidárias, os movimentos independentes não devem aliança senão a si próprios e aos seus eleitores. Por mim, os autarcas podiam ficar por mais de dez mandatos, se a vontade dos seus constituintes assim o desejar. Os autarcas vão a votos, são julgados, são conhecidos. E, com a possibilidade de qualquer cidadão, ou grupo de cidadãos, de formar uma lista e concorrer às eleições sem se ter de aliar às cartilhas existentes, não há razão para que o voto dos munícipes seja desconsiderado.

Por conseguinte, nas eleições autárquicas, o povo deve ser soberano. Se achar por bem lixar-se com um determinado presidente de câmara por muitos anos, pois que se vá lixar!