quinta-feira, 23 de maio de 2013

Uma história de burros

Sou autoridade!

A história que se segue é completamente inapropriada para pessoas com apoplexia ou asma. São aqui avisados também os que sejam sensíveis a estultícia, burrice ou trapalhadas. A cautela dos nossos leitores é aconselhada.

Passou-se há alguns dias, e foi-me contado por quem o presenciou. A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) entra pelo estaleiro do novo data center da PT, na Covilhã, adentro, e manda parar todas as máquinas.

As razões invocadas foram estas: receberam uma denúncia, anónima, dizendo que uma das gruas móveis trabalhava sem aterramento elétrico. Os engenheiros devem neste momento estar a rir às bandeiras despregadas. Foram avisados.

Um aterramento elétrico é, como mostra a figura seguinte, composto por uma vara de cobre espetada na terra e ligada por um fio a uma instalação elétrica. Esse aterramento é ligado às carcaças metálicas dos equipamentos e conduz para a terra alguma descarga a essas carcaças, protegendo os utilizadores.

Um aterramento elétrico, como o que existe nas nossas casas

Os senhores da ACT, cavalos africandos extremamente sapientes nas artes do incómodo e da burrice, asserveravam que a ligação das gruas móveis à terra era obrigatória por lei. Fica por saber qual é o comprimento do fio que deve ser utilizado para realizar essa ligação, já que as gruas móveis, surpresa!, são supostas deslocarem-se. Os responsáveis pelas obras, contaram-me, não sabiam se deveriam rir ou zangar-se. Não sei como acabou o episódio. Só espero que da próxima vez antes de dar ouvidos a denúncias anónimas, os fiscais fiscalizem o que sabem fiscalizar antes que alguém tenha de fiscalizar o que os fiscais dizem saber.

Quando digo que a ACT e a ASAE devem ser extintas, os seus fiscais nunca se olvidam de se esforçar para me dar razão. A eles, os meus mais sinceros agradecimentos. Não poderia ter senão neles o melhor advogado das minhas teses.

Bem dizia um formando meu, o Carrola, que a ASAE terá um dia de fechar a ASAE. Ou a ACT.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Quem disse que o Estado não é uma empresa?

O Estado é uma empresa, pois tem um deve e um haver, receitas e despesas, e serviços a prestar. Não se pode viver sem Estado. Bem o sei, que vivi em lugares onde o Estado era coisa que não existia no meio de África. E, creiam-me, essa é a antecâmara do inferno.

O Estado deve ser gerido como uma empresa: descobrir-se primeiro quais são os produtos e serviços a fornecer aos clientes de modo a satisfazer as necessidades destes e depois fabricá-los a um custo que permita o preço que os clientes estão dispostos a pagar. Os clientes somos nós, que vivemos dentro da área territorial gerida em exclusividade pelo Estado. Quando falo em estado mínimo, é óbvio que não falo de estado inexistente. Há no entanto em mim a sensação (ainda mais porque sou trabalhador independente em vez de funcionário acomodado) de que os impostos que pagamos não são justificativos do cúmulo de serviços que recebemos do Estado Português.

Há uma diferença entre o Estado e uma outra empresa em mercado livre: se não me agradar a cor ou o preço dos eletrões da EDP, posso ir à ON e pedir um preço. Sei que há cartel nestas empresas, mas os cartéis nunca são eternos: duram até que uma delas comece a ter uma posição dominante, e depois desfazem-se como o amor entre a Besta e a Babilónia em Apocalipse. Quanto ao Estado, se eu não gostar da torturenta e lacrimosa fiscalidade do Estado Português, posso pedir secessão da minha propriedade e começar a pagar ao estado russo, por exemplo?

O Estado assume o monopólio forçado à ponta d’arma num determinado território, território esse que, para minha misérrima desesperança, inclui o meu torrão em Barco, Covilhã. Logo, se não se pode mudar, há que se ser eficiente. Que não gastar mais um chavo do que o necessário para se ter um nível razoável de qualidade de serviços. E por serviços do Estado, inerentes ao Estado e não delegáveis, incluo a produção legislativa, a administração da justiça, a diplomacia externa, a defesa nacional, a manutenção da ordem pública, os serviços de informações e a manutenção de um dispositivo de emergência e de proteção civil.

Não precisamos de um ministério da educação que não educa, de um ministério da economia que não gera riqueza ou de um ministério da agricultura que nunca viu uma couve na terra. Não necessitamos de um ministério da saúde que apenas existe para fazer as contas doentes (necessitamos serviços de monitorização da saúde pública, mas isso é outra coisa). Não necessitamos de segurança social que apenas torna o emprego impossível e as pessoas inseguras de si. Finalmente, não precisamos de uma miríade de assessores de porra nenhuma, essa expressão deliciosa proveniente do Brasil. Se os partidos acham que os assessores são necessários, pois que listem os assessores nas suas candidaturas e tirem as nulidades das Drago, dos Zorrinho e dos Bernardino.

Este foi um comentário meu para este artigo n'O Insurgente.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Notícias fictícias que até poderiam ser reais (I)

De acordo com o porta-voz Zurro do Carlos, o PS considera que os quase licenciados pelas novas oportunidades são os mais aptos profissionais de Portugal, e que o programa foi de extrema utilidade para o país.

O PS apresenta na sua comunicação o que escreve, numa mensagem por via eletrónica, um dos graduados:

sou quase-Licençiado nível 5 em Téc.de Sekretariado tive de ter muitas aulas de PortuguÊS pra vida e de datilografia 2º novo acordo. e como sabem voçês bem tenho muitas competências para o marcado de trabalho como dis o setôr lá nas aulas peço que me deiem uma oprotunidade para puder pruvar o meu valor, obrigado e tenham muitas felicidades

de gajomagano92@hotmail.com

Quando perguntado acerca da ubiquidade e persistência dos erros de pontuação, ortografia e de sintaxe da mensagem, o porta-voz pediu uma pausa. Após retornar, alguns minutos depois, com um dicionário na mão, retorquiu: «Como viu, o nosso exemplar formando mostrou as suas competências avançadas no domínio da criptografia».

Quando insistimos que «criptografia» é um neologismo bacoco para «cifragem», o porta-voz mostrou-se estupefacto e voltou ao dicionário. Visivelmente embaraçado, mudou de assunto.

Os Estados Unidos, a terra da pretérita liberdade.

A notícia no USA Today deixou-me abananado. Afinal, algo vai muito mal na terra da liberdade. As pessoas que criticarem o Obama terão escrutínio extra do IRS (o serviço de finanças do Governo Federal).

Sabemos que existe liberdade quando podemos fazer um insulto aberto ao governante sem que nos aconteça nada. Neste critério, em Portugal há mais liberdade hoje que nos Estados Unidos. Do modo como se critica o Passos Coelho, passando as bordas do insulto vácuo e imbecil, e como não ouço nada de a polícia ou as finanças andarem atrás dos manifestantes identificados), terei de concluir que vivo na pátria da liberdade.

A história mostra-nos que não é possível uma minoria enganar a maioria por muito tempo. Quarenta anos depois dos amanhãs que cantam, teremos de cantar. A canção é que não é a que os enganados achavam que cantariam. É, no entanto, a canção que os países que têm constituições que obrigam ao socialismo como a nossa andam a cantar.

Entretanto, em Portugal há liberdade. Há alguns casos de as finanças e da ASAE terem sido utilizadas para manter a bolinha baixa de empresários que criticam publicamente o governo. Noutros casos, quem contava anedotas sobre a licenciatura de Sócrates era despedido. Pesando a gravidade destes casos, eram pontuais. Mostram como o governo Sócrates via o país: a alguns suborna-se, a outros premeia-se, a alguns castiga-se e os restantes pagam. Por justiça, aqui distingo do PS, que só pecou por não ter vergonha do que o seu líder em nome do PS fez.

Referências:
ASAE investiga infrações na campanha do 1.º de maio do Pingo Doce: Havia quem não gostasse de Alexandre Soares dos Santos.
Estado indemniza professor da anedota sobre Sócrates: Sócrates prevaricou, o povo pagou.

sábado, 11 de maio de 2013

O Estado pretende proteger-me... de mim mesmo?

Na Inglaterra, o Estado pretende cortar no tamanho dos biscoitos por forma a controlar a obesidade. Veja quem lê inglês este artigo no Telegraph.

Será que aquelas jumentíssimas iluminárias nunca pensaram que, se uma pessoa se sentir insatisfeito com um biscoito, de imediato comerá outro?

Será que eu dei um mandato com o meu voto a essas candelárias do iluminismo para que me protejam de mim mesmo? Será que não posso gostar de biscoitos e resolver comer dois ou três em vez de um? E se eu e os meus filhos dermos cabo de um pacote de Bolacha Maria numa hora seremos acusados de alta traição?

terça-feira, 7 de maio de 2013

Burros em escudos ou em euros?

O nosso problema não está na nossa moeda, está no nosso Estado. Temos Estado a mais. Temos funcionários a mais, burrocratas a mais à espera de um tacho no privado, plutocratas infindos, beneficiários do rendimento mínimo e do rendimento máximo que acham que têm direito à substância do outro, emperresários gulosos pelos dinheiros públicos e uma banca que facilita tudo isto, claro que a juros. A banca adora o Estado, mancomuna-se com os políticos que querem deixar obra e com os emperreiteiros que querem vender quinquilharias e cimento. Este é o problema da economia portuguesa. Bem pior seria se não estivéssemos no Euro e tivéssemos de arcar com juros de dez, doze ou quinze por cento para colocar mais dívida à la Mr. Seguro nos ma-le-di-tos mercados.

Em suma, o Euro é um verdadeiro benefício. Falta apenas acabar com as obras que ninguém parece querer excepto o político que nela coloca o seu nome, a banca que avança com o dinheiro e cobra juros e o emperresário que quer cobrar uns cobres a peso de ouro. Assim nasce o Auditório Dr. Couro de Burro, a Piscina Dr. Couro de Burro e o edifício da Junta de Freguesia Dr. Couro de Burro na mesma localidade. O Dr. Couro de Burro não tem dinheiro nem o sabe ganhar. Isso de ganhar dinheiro é ocupação para broncos empresários (dos honestos) e bestas de carga. O Dr. Couro de Burro tira aos empresários e aos empregados o dinheiro para manter as obras dermo-asininas por este país afora.

Piorando o que já é mau, o Dr. Couro de Burro não se coíbe de dizer aos empresários (distingo dos emperresários e dos emperreiteiros) como devem gerir o seu negócio. Nem reconhece ou valoriza o facto de que a coisa pública, gerida pelo Dr. Couro de Burro, está um desastre autêntico. Se o José Labuta, empresário, quer montar uma oficina para cortar mármores, tem no mínimo trinta licenças a conseguir, numa gesta hercúlea, a cada uma das quais os Dr. Couro de Burro pôs um preço e um tempo de espera que raramente cumpre. O Sr. Labuta já teve de pagar o terreno para que fosse seu, comprar os materiais e a mão de obra para construir, e ainda assim tem de pagar ao Sr. Couro de Burro (e esperar meses ou anos) para que lhe deixe fazer algo de produtivo daquilo que já é seu.

Ainda assim, o Sr. Labuta não está a salvo do Couro de Burro. Irá ter de lhe pagar impostos estipêndios (adjectivação e nominação intencionais!) para quem pouco ou nada faz de produtivo, e que ainda gasta parte desse dinheiro a perroteger e perromover emperresários amigos do Dr. Couro de Burro.

Se por acaso o Sr. Labuta resolver dar com a boca no trombone e dizer publicamente o que acha do Dr. Couro de Burro, este manda-lhe os fiscais das finanças e da ASAE aborrecê-lo logo no dia seguinte. Já vi isto feito a tantos empresários que reconheço aqui uma prática perversa. No pensamento do Dr. Couro de Burro, o país existe unicamente para simples usufruto do Sr. Couro de Burro, a suprema carraça nacional.

Aqui está o problema. Pagá-lo-emos em escudos ou em euros.

Este artigo foi ligeiramente adaptado de um comentário meu a este excelente artigo n'O Insurgente. Vejam também esta excelente análise do Mário Amorim Lopes.

sábado, 4 de maio de 2013

Sugestão para a fiscalidade

Vá lá, contribua para o Estado Social...ista!

Uma coisa que os governantes portugueses não são é razoáveis. Os nossos meios de comunicação são exímios em clamar por justiça, e são completos idiotas pelo modo como o fazem.

Se queremos baixar os impostos à classe média, podemos usar o investimento estrangeiro em impostos baixos. Não com esta fiscalidade opressiva, com certeza. Mas se fizermos um pequeno acerto na fiscalidade, podemos captar impostos das grandes fortunas que andam desavindas com o esquerdérrimo Hollande, o coveiro da França.

No código do IRS deveremos ter presente que dez por cento de muito é mais que cem por cento de nada. A meu ver, os ricos podem facilmente mandar lixar o Sr. Hollande ou o Sr. Coelho ou o Sr. Rajoy mais depressa que qualquer um de nós, movendo os seus capitais para onde lhes aprouver. Eu pago quantos impostos me impõem, e um rico paga quanto quer pagar.

Setenta e cinco por cento de nada é nada. O zero ainda continua a ser o elemento absorvente da multiplicação, mesmo da fiscal. Por mim, a solução para que os ricos queiram ser taxados em Portugal é apenas uma: taxem os rendimentos acima do milhão de euros a 10%.

Consequências

Passamos a perna no Hollande e talvez tenhamos a fortuna da L'Oreal em Portugal, já que o celebérrimo Depardieu anda nestes dias a aprender o alfabeto cirílico.

Mais do que isso, trazemos talento para fazer dinheiro para Portugal. Naturalmente, se um rico vem viver para Portugal, criará empregos qualificados e não qualificados por cá (nenhum rico trata dos seus impostos ou faz a sua cama). Ainda melhor, com grande probabilidade a próxima ventura comercial ou industrial poderá também ser por cá, se o ricaço não tiver esta burrocracia (grafia intencional!) labiríntica de que nos enferma o licenciamento industrial, essa máquina infernal que faz frustrar o santo mais paciente.

Que temos a perder?

Poderemos conseguir 10% dos milionários da Europa, ou pelo menos 20% dos que deixaram o Hollande por Londres (e que até foram tão poucos que já se fala em Londres no 21º Bairro de Paris). Temos melhor clima que os bifes, paz social e, a cereja em cima do bolo, um povo que aprende línguas como poucos no mundo.

O próprio Sr. Hollande afirmou que a taxa de 75% iria afetar em França apenas 2000 a 3000 pessoas. Este número é por baixo, dada a dimensão da França, mas assumamos 2000 pessoas a ganhar mais que um milhão de euros. Isso significará, só nestes números e pelo plano de fiscalidade que aqui defendo, 2000 milhões de euros taxados à taxa normal e o excedente à taxa reduzida. Só fazendo contas a 25% de 2000 pessoas a ganharem cerca de dois milhões de euros, estamos a falar de cerca de quinhentos milhões de euros (na quota até ao milhão) mais outros quinhentos na quota acima. Isto levaria a uma colecta de 250 + 50 milhões de euros, ou 300 milhões de euros. Só potencial da França! Com sorte, até teríamos espanhóis, alemães e ingleses a criar o primeiro bairro multilinguístico de Portugal em Cascais (e a pagar impostos aqui).

10% cento de muito é melhor que 75% ou 55% de nada. Pensem nisto os nossos governantes, se sabem fazer contas.