sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Quem é o Ocidente para dar lições de moral à Rússia?

  1. Estados Unidos e Afeganistão perdem o rasto a milhares de armas.
  2. A ISIS está a ser financiada e armada pelos Estados Unidos. A ISIS comete crimes que nem o Assad, nos seus piores dias, comete. Contra cristãos, também.
  3. A Líbia foi tão libertada que aposto que muitos líbios não se espantam que à Primavera tenha sucedido o Inverno.
  4. Embora o governo da Ucrânia não seja nem tenha sido Nazi, nunca foi santo. Tenho esperança no Poroshenko. Vejamos como vai acabar isto.
  5. A Rússia é corrupta. Pois é. E a União Europeia, é melhor? Que fazem os gabinetes de lóbi todos em Estrasburgo e em Bruxelas? Poesia criativa?

A União Europeia é uma prostituta velha, arrogante e incapaz de perceber que os seus anos de beleza já se foram e que o creme de baba de caracol da imprensa influenciada não lhe cobre as rugas. Antes de a União Europeia ou de os Estados Unidos sancionarem a Rússia, os cidadãos daqueles países já deveriam ter lançado sanções ao Obama e ao Juncker e ao Barroso e ao Draghi.

Sou contra sanções à Rússia. Sou a favor de convidar a Russia para integrar a União Europeia, e deixar que aquela influencie a política europeia. Sempre que a Rússia o fez, fora o negro período comunista, foi para melhor.

A Europa cultural vai do Cabo da Roca à Ilha do Amanhã, no Estreito de Bering. Não faz sentido pensar numa União Europeia e numa Rússia ou União Euro-Asiática. A União Soviética acabou há quase um quarto de século, está morta e enterrada, e ainda bem. A União Europeia deve procurar a integração da Rússia, da Ucrânia, da Moldávia, da Bielorússia, da Geórgia e do Cazaquistão, pois culturalmente somos semelhantes. Não somos semelhantes aos mongóis, mas somos aos turcos, aos khazaques e aos russos.

Esta integração, a ser realizada, trará uma benesse extra: acabam as disputas entre blocos e guerras na Ucrânia, na Geórgia e a que acabará por acontecer na Estónia. Além disso, provavelmente a Bielorússia veria a luz da democracia pela primeira vez, já que não se consegue estar na União sem pelo menos ter uma semelhança à democracia, mesmo se cada vez mais controlada pelo Soviete Supremo de Bruxelas. Se quisermos consertar a União Soviética da Europa, basta que a Europa seja um espaço de comércio livre e nada mais. Sem sanções nem política externa nem apelos ao banimento de livros como «Os Cinco», da Enyd Blyton. Nem Parlamento nem Comissão. Estas coisas fazia a União Soviética e veja-se o mal que esta vez à humanidade e as mortes que causou. Também a União Soviética começou como uma boa ideia na cabeça de algum iluminado.

Bem prega o Frei Tomás. Ou o Reverendo Juncker. Ou o Santo Obama. Mas nenhum deles me mostra que é melhor do que aqueles que persiste em censurar.