sábado, 27 de setembro de 2014

Viva até aos 75. Depois morra, que é esse o seu dever.

O Dr. Ezekiel Emanuel acha que deve morrer aos 75. Nós dizemos: porque não se apressa?

O Dr. Ezekiel Emanuel, um dos arquitetos do Obamacare, o programa de saúde da administração Obama nos Estados Unidos, acha que as pessoas devem viver até aos 75. E depois deixar de procurar prolongar a sua vida, através de tratamentos médicos, claro que pelo bem comum. Para quem quira ler, que leia aqui, em inglês.

Muitos americanos, ao verem como os seguros de saúde lhes subiram após a implantação do Obamacare ou como perderam o seu emprego (porque as empresas não estão para aturar as taxas por este programa criadas sobre os trabalhadores), lamentam que o Dr. Emanuel tenha vivido até hoje.

Eu não posso estar mais de acordo. Todos os socialistas, das mais diversas matizes e cores, devem morrer aos 75. E, se forem mesmo patriotas, devem morrer aos 67 anos e três meses (podem gozar três meses de reforma, mais mais não é preciso). E se forem mesmo boas pessoas devem atirar-se para a linha do TGV assim que esse esbulho inútil esteja construído.


Agora a sério. O sistema de Segurança Social, lá e aqui, está condenado. É uma fraude tipo Dona Branca ou Maddoff. Mais cedo ou mais tarde, surgirá a lei que impede as pessoas de viver mais de dez anos após a reforma, negando cuidados médicos que possam prolongar a vida. Ou isso ou a Segurança Social vai falir em menos de uma década. Se está nos quarenta e tais, como eu, saiba que isso é o que nos espera.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Desemprego em Portugal? Não é culpa dos alemães.

Portugal pode pagar muito mais do que paga agora. O Salário Mínimo Nacional funciona como uma fasquia, uma desculpa para pagar menos. Aboli-lo seria o primeiro passo da subida generalizada dos salários (depois de um tempo de ajustamento, concedo isso).

O salário mínimo não cria nem destrói emprego em Portugal. Não é alto o suficiente para tanto. O salário mínimo apenas faz com que as empresas se encostem à linha de baixo quando querem contratar, por causa do que vou referir a seguir. Dá um referencial inferior, para gáudio de quem quer contratar e desespero de quem quer trabalhar a sério.

Porque é que há desemprego em Portugal?

  1. Dificuldade de despedir, que implica medo de contratar.
    1. Medo de contratar quem não tem experiência.
    2. Medo de contratar para perseguir oportunidades comerciais que podem não se consubstanciar (pois no dia seguinte estão a perder tempo e dinheiro no contencioso para despedir os que foram contratados para um determinado projecto, cujo terá sido redimensionado ou abandonado por razões várias).

      Logo, imobiliza-se a economia. As empresas, com medo de contratar, deixam de perseguir oportunidades que de outra fação iriam experimentar. Crescem as empresas dos países onde se pode despedir livremente, modorram as nossas.

      Como corolário, quem tem emprego não tem de dar ao pedal. Não precisa. Pode passar trabalho para quem não seja «efectivo», a palavra mágica que significa «nhã, nhã, nhã, tens de me pagar para me ir embora, toma e embrulha!».

  2. A sobrerregulação da economia implica a criação de menos negócios e a deslocalização de muitos.

Como se cria emprego em Portugal?

Tratando de promover a liberdade contratual.

  1. Liberdade de despedir, à americana. «Estás despedido, leva o que te devo e sai daqui!» é ouro para as empresas que pensam em contratar. «Vou-me emgora. Pague o que me deve e adeus!» é ouro para um bom empregado.

    Um bom empregado tem muito a ganhar com o livre despedimento. Sabe que a qualquer momento um mau empregado de uma outra empresa irá ser despedido e ¡bumba! terá uma nova oferta, de valor superior. Um empregado medíocre terá benefícios nulos. Continua onde está.

    Um empregado calaceiro, incompetente, modorrento, inético e indolente tem tudo a perder, pois irá ser substituído por um bom empregado, ou pelo menos por um melhor do que ele.

    A propósito, porque é que são os sindicrápulas que mais falam contra estas propostas? O barulho é muito esclarecedor.

  2. Desregulamentar a economia. Em Portugal, uma empresa industrial pequena precisa de ler no mínimo 17.000 páginas de texto (nove bíblias, ou a altura de um homem em páginas empilhadas) de legislação confusa, obtusa e conflituante entre si. Metade dessa legislação não é necessária. Metade da metade que resta é perniciona. Do restante, quase tudo é perfeitamente idiota.

    Sugiro que a legislação económica seja declarada falida. Isto é, que se comece do zero e se faça nova legislação, que coarte o menos possível a inovação e a liberdade empresariais. Que não seja um favor aos incumbentes para tolher os insurgentes.

    Ou a legislação declara falência ou o país acabará por a declarar.

  3. A ASAE e a ACT devem permanecer em modo pedagógico, explicando aos empresários como se cumpre a lei, e dando prazos razoáveis para corrigirem as suas faltas. Em vez de serem os proverbiais caçadores de multas. A ASAE comete crimes económicos. O ACT nem deveria ser necessário.

Conclusão

Se temos desemprego, a nós se deve. E isso são boas notícias. Pois se o desemprego a nós se deve está na nossa mão acabar com ele. O processo ser iniciado já na próxima semana, na segunda-feira. Novo código de trabalho, ASAE em modo pedagógico, tudo isso em menos de um mês poderia ser feito (a legislação industrial tem o seu tempo, mas podemos começá-la hoje). Especialmente porque o novo código de trabalho poderia apenas ser constituído de umas três ou quatro páginas em vez da bestialidade catarpácia de hoje.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Pai, o que se passa no Médio Oriente?

Atascados no lamaçal do Médio Oriente

A filha de um democrata americano pergunta-lhe algumas vezes o que anda pelas notícias.


Pai, o que se passa no Médio Oriente?

Minha filha, no Médio Oriente existe um grupo extremista islâmico que anda a usar de extrema violência sobre inocentes. Querem fazer uma nova nação independente, da qual querem iniciar ataques à Europa e aos Estados Unidos.

Então eles são maus e lutam contra os bons, não são?

Bom, eles são maus, mas lutam contra maus e bons. Eles lutam contra o Assad, o governante da Síria, o qual perpetrou crimes hediondos contra o seu próprio povo. Por isso o Ocidente quer tirá-lo do poder, e a ISIS luta contra ele e quer removê-lo.

Então era ele que matava os cristãos?

Apesar da sua crueldade, os cristãos eram respeitados pelo Assad na Síria. Nunca tiveram problemas e viviam livres

Mas então porque é que querem fazer guerra contra o Assad?

Porque ele luta contra os terroristas islâmicos, que destroem as igrejas e matam os cristãos, e é muito cruel.

Mas os terroristas não são a ISIS?

Esses são os alguns dos terroristas.

Então não devíamos estar a ajudar o Assad?

O Obama acha que não, pois se o fizer ofende os nossos aliados, que apoiam e financiam a ISIS, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.

Os nossos aliados financiam um grupo terrorista que nos quer atacar? Então não são nossos inimigos?

Não, são nossos aliados. O Ocidente considera os nossos inimigos o Assad.

Mas o Assad então quer atacar a Europa e os Estados Unidos?

Não.

E faz mal aos cristãos no país dele?

Não. Os cristãos apoiam o Assad. Os que lutam contra o Assad na Síria são muçulmanos radicais.

Mas não são os muçulmanos radicais os que querem atacar a Europa e os Estados Unidos?

São.

Então porque é que não atacamos os muçulmanos radicais e não ajudamos o Assad?

Para não deixar espalhar o terrorismo.

Mas se o Assad luta contra os terroristas! Se ele for derrotado, não quer dizer isso que o terrorismo se vai espalhar mais?

Sabes, está a dar desenhos animados na televisão...

Espera, mais uma pergunta. Quando é que os terroristas apareceram?

Depois que saímos do Iraque.

E porque é que saímos do Iraque?

Porque a guerra contra os terroristas estava ganha.

Mas então entrámos na guerra contra os terroristas, e ganhámos, mas eles surgiram depois?

Quando começámos a guerra no Iraque ainda não havia terrorismo.



Conclusão

Valha-nos São Vladimir Putin. Pode ter os seus erros, mas não tem metade desta hipocrisia.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Das eleições primárias dos primos António

O primo António acha que a situação está preta. O primo António acha que a situação está negra.

O primo António gosta do vermelho. O primo António do encarnado.

O primo António sobe ao palco e diz que a economia só melhora com crescimento. O primo António monta ao palanque e afirma que a situação só lá vai com a dinamização da economia.

O primo António acha que o primo António não pode dar lições de moral ao primo António. O primo António está convicto de que o primo António tem discurso vácuo e que promete o que não pode fazer.

O primo António acha que o governo Sócrates teve erros, mas acrescenta que foi um orgulho. O primo António acha que a governação PS não foi perfeita, mas que foi positiva para Portugal.

O primo António trata o Primo António por tu. O primo António vai pelo país dizendo que é melhor que o primo António. O primo António afirma-se a esperança para Portugal, ao contrário do primo António, que é representante dos mais escuros interesses que capturam o país. O primo António diz que ele será o futuro primeiro-ministro de Portugal. O primo António acha que se o primo António estiver no poder o país voltará a ficar capturado pelos interesses.


Caro leitor, consegue discernir o primo António do primo António? Qual primo António é Costa, qual é Seguro? De uma coisa apenas estou seguro, eu estou completamente de costas para esta eleição. Mas aprecio que as comadres se tenham zangado dentro do PS. Está a ser claramente elucidativo.

sábado, 13 de setembro de 2014

Renove-se a frota automóvel do Constitucional

Lada VAZ-2101, um Modelo 1 soviético

Suponho que todos os carros do Tribunal Desconstrucional (sim, nome intencional) deveriam ser substituídos por Lada 1200. Tem algumas vantagens:

  1. Mostra bem as anuências e preferências dos juízes;
  2. É mais barato para o contribuinte, pois estará tanto tempo na garagem que não consumirá combustível quase nenhum;
  3. Se tiver muito tempo na oficina, os juízes não se poderão reunir para votar em causa própria, sempre com a mão nos nossos bolsos.

Avisamos que apesar da mudança de marca e modelo, a máquina continuará a valer mais do que o pedaço d'asno que nela se desloca, mesmo descontando o fator chaço-calhambeque.

domingo, 7 de setembro de 2014

sábado, 6 de setembro de 2014

Como não mudar um país

A intervenção no mundo islâmico foi uma boa ideia, estupidamente executada. Tudo corria bem até ao momento em que resolveram desbandar o exército iraquiano (na II guerra do Iraque). Quando ouvi isso do Donald Rumsfeld, lembro-me de ter levado a mão à cabeça e de ter dito: «puseram tudo a perder».

Um exército inimigo não se desbanda, absorve-se. Um soldado adversário não se aliena, abraça-se. Apaziguando o ódio, a ele se dá uma alternativa melhor.

Mais valia terem dado formação profissional a todos os soldados iraquianos, encarreirando-os para a vida civil. As empresas saídas da guerra necessitam de engenheiros, mecânicos, eletricistas, planeadores e contabilistas. E agradeceriam de bom grado os iraquianos que fossem formados nas melhores práticas ocidentais em vez de terem de os formar elas. Ademais, os soldados, munidos do soldo durante a formação, ficariam mais que agradecidos aos novos poderes: sairiam da vida militar para um posto bem pago na vida civil. Melhorariam de vida. Seriam por isso a reserva moral da nova democracia. Em vez disso, viram-se despedidos do exército, com treino militar e sem modo de sustentar as famílias. E ódio no coração

Lamento dizer, mas no Ocidente apenas pecamos por otimismo antropológico, uma ideia muitíssimo cara à esquerda socialista. Esta é a nossa perdição, esta é a nossa fraqueza, esta é explorada pelos nossos inimigos. Quanto a este Ocidente, aspirante a tirania, não o quero. Não me revejo nele. Mil vezes Vladimir Putin à União Europeia (se alguém pensar para além do preconceito estabelecido, perceberá porque digo eu isto).

Como disse, a Rússia parece querer evitar a guerra, mas prepara-se para ela. Confiado na supremacia do Ocidente, o Ocidente parece querer forçar a guerra, sem perceber bem quais são as suas forças e as do adversário, caminhando para a desgraça.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Do meu ponto de vista...

A dupla hipocrisia do Ocidente

A Rússia faz os possíveis para deter uma grande guerra, mas prepara os seus cidadãos para isso. O Ocidente almeja iniciar uma grande guerra, mas vai dando cantos de sereia aos seus cidadãos.

Sejamos claros. A Rússia pode ter desestabilizado a Ucrânia, mas fê-lo com mestria. Ninguém com dois dedos de testa acha que o Poroshenko é tão pró-ocidental quanto aparenta. Nenhuma besta idiota vai dizer aos que exigem poder falar russo no território como segunda língua oficial que falarão todos ucranianos, quer queiram ou não. O Poroshenko disse-o. Quem pode condenar aqueles que apenas querem defender o direito de aprender e de interagir na língua dos seus pais, aprendida numa região secularmente russófona?

A Rússia controla os dois lados da Ucrânia através dos seus agentes de influência, no caso de Kiev, e dos seus oficiais, no caso de Donietsk. Infelizmente, os que se seguem na liderança dos ditos rebeldes não estão à altura de Igor Strelkov, um homem de honra e de valor. E, se pudesse, convidá-lo-ia para uma entrevista.

O Ocidente está à espera do primeiro tiro, em pulgas para descarregar as armas. E, como qualquer socialista, é atabalhoado e reactivo. Somos, é preciso dizê-lo, decadentes. Mesmo uma leitura rápida da entrevista do Ievgueni Primakov (ex-chefe da diplomacia russa) à Russiskaia Gazeta de 8 de Agosto (aqui, traduzida em inglês) mostrará o quão somos burros em acreditar que a Rússia, enquanto animal acossado, não reagirá.

Uma aventura impossível

Míssil Topol-M

Consideremos os seguintes pontos:

  • A Rússia controla 65% das ogivas nucleares do Mundo.
  • A Rússia controla mais de 80% dos mísseis balísticos intercontinentais mundiais.
  • Os russos são ciosos da sua liberdade e da sua soberania. Napoleão, recebido primeiro como um herói libertador em Moscovo, em pouco tempo se apercebeu disso.
  • Os Estados Unidos têm neste momento uma política de absorver um primeiro impacte nuclear e só depois retaliar. Retaliar com quê?
  • Os Estados Unidos têm uma frota de mísseis intercontinentais ultrapassados, que pouco passam os 400, e tem destruído em treinos e testes cerca de 50 por ano. A Rússia tem novos mísseis, e anda a construí-los, juntando-se à sua frota de Topol (SS-25), Topol M e outros, pelo menos ao ritmo de 3 por mês.
  • Na Rússia há unidades de treino patrióticos, mobilizadas por cidadãos ex-militares, que treinam crianças, jovem e adultos em defesa pessoal, sobrevivência e guerrilha.
  • A Rússia tem agentes de influência em todos os órgãos ocidentais, incluindo a União Europeia (preparem-se para um fio de escândalos sem fim nas cúpulas da União).
  • A opinião pública russa está ciente de que haverá uma guerra. Não a quer, mas não a teme. A opinião ocidental parece confiar nas promessas vãs dos mesmos políticos que os enterraram em dívida e em estagnação.
  • A Rússia andou a construir abrigos nos Urais. Já declarou que os túneis metro de Moscovo poderão albergar pelo menos quinhentas mil pessoas.

Quem é asno o suficiente para se meter com os russos?

Ter um inimigo é melhor que ter um irmão?

Porque não convidar já os russos para integrar a União Europeia e a NATO, primeiro como observadores e daqui a três anos como membros de pleno direito? Assim, a Ucrânia poderia funcionar como ponte em vez de muro entre as relações com a Rússia. Por mim, a Rússia deveria fazer parte da União Europeia. Não há verdadeira Europa sem a Rússia. Um russo é mais europeu que muitos dos nossos imigrantes africanos ou asiáticos. Ora, se permitimos e muito bem que os nossos imigrantes sejam acolhidos na nossa casa, que diremos nós dos russos, ucranianos e georgianos?

Se estivermos a viver todos sob a mesma casa, que sentido tem a inclinação da Ucrânia ou da Geórgia?

A fronteira da Europa está na Ilha do Ontem, no Estreito de Bering. A Rússia faz parte da Europa e está neste momento mais próxima do espírito que fez a Europa grande do que a decadente União Europeia. No mínimo, a entrada da Rússia na União iria confrontar a União com a sua própria decadência. E é isso que o diretório da União não quer. A adesão da Rússia iria colocar em mãos comuns os recursos comuns dos europeus: inteligência, competência e recursos naturais. Passaríamos de uma assentada a ser mais de oitocentos milhões de cidadãos, e com quase um terço do PIB mundial.

Perdem os cidadãos da União.