sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Os Gregos apoiam o Syriza, mas desconfiam.

O presente da Grécia. Nem imagino qual será o futuro.

Os levantamentos de depósitos estão em alta na Grécia. 25 mil milhões de euros já voaram dos bancos desde o fim de Dezembro, numa demonstração clara da confiança que os gregos têm na capacidade de o Syriza os meter numa alhada sem precedentes. E mais vale um euro na mão que dois dracmas a desvalorizar.

Vai haver um feriado bancário na próxima segunda-feira. Os gregos, diz-se à boca fechada, estão com medo que na Terça os depósitos se encontrem encurralados, ou pior, tonsurados.

E enquanto a Grécia vai de instrangigência em intrangisência até à cedência final, teme-se que já em Fevereiro não haja dinheiro para salários. Antes das eleições havia dinheiro suficiente nos cfres gregos até Março.

Portugueses, os erros dos outros são lição para nós. Socialistas, quer radicais ou aflorados, amarelos ou rosas, trazem sempre grilheta e miséria, frustração e lágrimas.


ADENDA: Foram 68 milhões de levantamentos apenas na manhã de ontem.

A Rússia está a afiar as garras.

O futuro é em rublos ou dólares? A resposta irá surpreender-nos a todos.

Num dia em que o Rublo anda abaixo dos 62 rublos por dólar e a recuperar terreno, a Rússia lança uma alternativa ao sistema de pagamentos inter-bancários SWIFT. A Rússia está também a vender dólares das suas reservas em ritmo recorde. Já havíamos referido que a Rússia queria uma alternativa ao SWIFT, e que a projetava para Abril. Pois é Fevereiro e já 91 instituições de crédito a estão a utilizar. Sem dólares pelo meio.

Embora o Vice Primeiro Ministro russo, Igor Shugalov, esteja confiante de que a Rússia não vai ser expulsa do SWIFT, neste momento deixa de ser importante, visto que mais e mais instituições internacionais estarão tentadas a pedir a adesão ao sistema russo, logo a começar pela China, cujos principais bancos já têm escritórios em Moscovo.

Enquanto isso, a Rússia vai comprando ouro. Dá azo a especulações de que a Rússia vai basear em breve o Rublo no padrão-ouro. A China está a fazer o mesmo. A Rússia e a China e o Irão já trocam em moedas nacionais e quase todos os contratos da Gazprom com os países da União Europeia são em euros.

A economia do helicóptero e da bazuca do Ocidente está prestes a sofrer o seu maior golpe. Ou arrepelamos caminho já ou a queda será ainda maior.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Qual é o país com imprensa mais livre? Portugal ou os Estados Unidos?

Segundo o World Press Freedom Index:

  • Estados Unidos: 49º lugar com 24,41 pontos (havendo piorado dos 23.09 pontos em 2014).
  • Portugal: 26º lugar, com 17,11 pontos (havendo melhorado dos 17,73 em 2014.

Em 2014, Portugal estava no 30º lugar e os Estados Unidos no 46º.

A pior posição que Portugal teve, segundo o próprio sítio do índice, foi 40º em 2010, durante o tempo em que no tasco mandava o José «Quarenta e Quatro» Sócrates, possível mandante das ameaças a jornalistas que então eram lugar comum.

Atenção às Obamices. A terra dos homens livres pode ser uma miragem do passado!

Acha que é o Porto de Luanda?

Não é Luanda. É Los Angeles. E estou a falar a sério!

Vista dos barcos que esperam para descarregar na Califórnia.

Vista dos camiões que estão à espera que os barcos que estão à espera descarreguem.

Os portos da Costa Oeste dos Estados Unidos estão parados devido a greve dos estivadores.

A falta de bens já se começa a fazer notar em prateleiras de supermercado.

Eu também sou especialista na teoria dos jogos...

E aposto que o Varoufakis vai servir de jogo de Piñata quando a Grécia começar a não ter dinheiro para pagar funcionários públicos, o que acontecerá, ao que parece, por volta do próximo mês. Não se pode jogar xadrez com jogadores da macaca.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Gaste-se, e não haverá amanhã.

Se eu gastar hoje como se não houvesse amanhã, engano-me duas vezes. O amanhã de hoje está sempre a vinte e quatro horas de distância.

Défice e otimismo político — desastre à vista.

Os Estados Unidos gastam como se não houvesse amanhã. Ou eles sabem que não há amanhã (vão-se suicidar) ou então acham que ninguém dá por um défice de 194,2 mil milhões de dólares (grosso modo um PIB anual português) em apenas quatro meses, desde Outubro.

No período homólogo do ano passado (os meses desde Outubro a Janeiro), o défice aumentou de 182,8 mil milhões de dólares para os tais 194,2.

Se eu fosse a um banco com estes resultados e com uma dívida que se aproximada dos vinte biliões (escala longa, 1012) ou vinte triliões (escala curta financês), eles apenas me perguntariam: Como é que pensa pagar isto a gastar desta maneira? Ademais, estes amigos escarradinhos são conhecidos por maquilhar as contas de tal maneira que o Largo do Rato seria confundível com o Palácio de Buckingham. Nem imagino o que foi varrido para debaixo do tapete e as artes que foram empregadas para manter as despesas fora dos livros.

Jim Rogers sobre a Rússia, a China, o Irão, mas não as vacas.

É de ler a entrevista Jim Rogers on Opportunities in Russia and Other Hated Markets.

Jim Rogers, autor e investidor americano, baseado, pelo sim, pelo não, em Singapura.

Jim Rogers foi Sócio de George Soros (ora de quem!) nos anos 70, no Quantum Fund.

Mas o que é que ele disse na entrevista? Vejamos como a abriu:

Bom, eu estou optimista quanto ao futuro da Rússia. Estava optimista antes de esta guerra começar na Ucrânia, a qual foi instigada pelos Estados Unidos, claro. Mas em qualquer caso eu comprei mais Rússia durante o incidente da Crimeia, e estou à procura de comprar mais.

Infelizmente, o que está a acontecer não é bom para os Estados Unidos. Está a aproximar a Rússia e a Ásia, o que significa que iremos sofrer no longo termo — os Estados Unidos e a Europa. Outro dos quatro grandes bancos chineses abriu recentemente um escritório em Moscovo. Os iranianos estão a aproximar-se dos russos. Os russos terminaram recentemente uma via férrea pela Coreia do Norte até Rason, que é o porto asiático mais setentrional sem gelo. Os russos puseram uma pipa de massa no Trans-Siberiano para a modernizar, e isso vai tudo através da China.

O resto da entrevista é muito elucidativo. Eu nem concordo muito com Rogers depois do fim dos anos 90, mas acho que nesta entrevista não se desviou muito da verdade.

A velha Europa está acabada. Pessoas como a Merkel, receio, não abundam nesta ilusão de que podemos todos viver à farta e lauta se mutualizarmos a dívida. Isto é, colocar a gestão da dívida nas mãos de uma associação de pelintras. Não é bom negócio para mim.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Desta vez o ditador afia as garras.

Barack Obama pede um mandato para atacar a Isis e todos os seus associados.

Com um pormenor do tamanho de uma baleia azul:

The new statute would authorize military action against Islamic State and its associated forces, which are defined in the text as organizations fighting alongside the jihadists and engaged in active hostilities. This means the president would be free to attack groups such as the al-Nusra Front or Iraqi Baathist elements who have partnered with the Islamic terrorists in Syria or Iraq. There are no geographic limitations, so the administration would be free to expand the war to other countries.
Obama's War Authorization Limits Ground Forces

Pois, o mandato não tem uma circunscrição geográfica. A muito conveniente Isis dá ao emperresidente a capacidade de começar guerra em qualquer lugar fora da fronteira dos Estados Unidos, segundo uma justificação — ou desculpa — tão vaga quanto as justificações técnicas para a imprescindibilidade da décima sétima ligação Lisboa-Porto por ciclovia portajada.

Ai esses terríveis jihadistas que vão entrar pela Ucrânia adentro! Bora lá prá Ucrânia combater a Isis.

A Rússia não é inocente na guerra da Ucrânia. Os Estados Unidos são os mais culpados. Os Estados Unidos estão a alimentar esta guerra porque querem apear o Putin — e isso foi aliás dito claramente por fontes não oficiais mas credíveis e é repetido pelos comentadeiros de serviço dos demono-cratas das estações americanas. A Rússia não quer a guerra, e já mostrou que pode brincar com os sistemas dos aliados, deixando o USS Donald Cook à mercê de um MIG que, pelo menos desta vez, apenas fazia evoluções e treinos sobre ele.

A Rússia tem tropas na Ucrânia, os Estados Unidos têm a Blackwater (hoje Akademi). Durante algum tempo considerava-se a Rússia a fonte de todos os males. Mas a situação está a mudar dentro da Ucrânia e mesmo na Europa. A Europa já começa a perceber que a política dos Estados Unidos é apear o Putin numa revolução que não se espera senão de cor vermelha. Porque será? Será assim porque o Partido Democrata vem trabalhando com o Partido-Comunista USA, ou aliás, foi capturado por ele? Repare-se que o candidato do PC-USA foi Obama em 2008 e 2012 em aclamação, o que pode ser visto no sítio deles.

O que quer a administração proto-comunista Obama é restaurar a União Soviética e sovietizar os Estados Unidos, terminando com as liberdades individuais. Um ainda está por fazer, o último está bem avançado. O comunismo não tem dogma: é um projeto de tomada e manutenção eterna do poder nas mãos dos caudilhos, sem possibilidade de revolta ou de substituição. Acham mesmo que se os cubanos pudessem escolher os seus líderes sem o controlo da imprensa e o medo da polícia secreta não punham os irmãos Castro numa balsa para Miami (para depois a metralharem em alto mar, como fazia o Castro aos balseros nos anos 70 e 80)?

Próximos capítulos

A política dos Estados Unidos vai cansar a Chanceler Merkel (a única líder proeminente desta choldra com neurónios operantes) e o Presidente Hollande (um dos outros líderes, que mal pensa ao pensar que pensa). Ambos irão fazer paz separada com o putin e não irão aceitar que os ucranianos sejam armados. Os Estados Unidos e a Inglaterra já andam a discordar e armarão, quer se queira, quer se não queira, e sem dar cavaco a ninguém.

Não creio que a guerra europeia comece na Ucrânia (estão muitos olhos sobre ela), mas num outro caldeirão, mais mediterrânico — não a Grécia. Preciso de mais dados para o analisar, e antes que me arme em parvo a dizer coisas sem nexo, aqui me calo.

Contudo, penso que o primeiro rufar de tambores será nos lugares do Sol Nascente, onde as tensões se cortam à faca e os indicadores económicos estão a deixar almofadas húmidas a muitos vermilhóides. E quando falta o pão começa o circo.

Se tivéssemos alguém que justificasse o seu ordenado na chancelaria, que deveríamos fazer?

Perguntar à Rússia se:

  • Nos aceita como observadores na União Euroasiática, aceitando o livre comércio e a simplificação ou eliminação de vistos.
  • Aceita a troca de parques industriais para empresas portuguesas lá e russas cá.
  • Aceita o levantamento de sanções em relação aos produtos portugueses ou provenientes de Portugal, em troca do levantamento de Portugal de todas as sanções em relação aos produtos e serviços e transferências de capitais russos.*

*A palavra Entreposto seria tão bom para o nosso PIB!

O Egipto não é nada parvo

O Egipto associou-se de alguma forma à União Euroasiática, formando uma zona de livre comércio. Nos seus planos está uma zona industrial russa no Canal do Suez.

Portugal deve fazer o mesmo. E trocar zonas industriais, se necessário. Podemos fabricar mobiliário e outras coisas que os russos gostam com as madeiras russas na Rússia e nós podemos receber empresas russas na área da maquinaria, a serem produzidas em Portugal, já na União Europeia.

Não sabiam que a Rússia produz máquinas agrícolas das mais avançadas do Mundo? Eis o processo de fabrico na Rostelmash (por acaso, eu trabalho bem com aqueles robôs e sei do que são capazes).

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Se a Grécia sair do Euro, o Mundo não acaba

Mas se continuar no Euro, podemos dizer adeus ao nosso mundo confortável.

Mais vale deixar cair a Grécia e aguentar as perdas (para Portugal cerca de mil milhões de euros) do que aguentar a Grécia e depois perder o que temos lá hoje e o mais que lhe emprestarmos. A um caloteiro anunciado não se empresta dinheiro. E se não gostam da Troika, respeita-se o voto dos gregos: a Troika vai-se embora e a Grécia vai pedir dinheiro, sei lá, a Putin ou a Hu Jintao.

Vamos ver se eles lho emprestam. Que eu saiba, Putin não tem um sinal "мудак" (mudak, imbecil) escrito na testa, nem vejo o de "混蛋" (py. húndan, desgraçado ou estúpido). Se estes países puserem dinheiro nas mãos dos gregos, as contrapartidas serão a sério. E os gregos irão chorar pela Troika de volta. E por Samaras.

Esperei uns dias para saber se alguém em Portugal noticiava isto...

Poderia esperar até que o inferno gelasse ou que alguma vez houvesse uma real descida de impostos — e mesmo assim apostaria que o inferno congelaria primeiro.

Jim Clifton, o CEO da Gallup

Jim Clifton, o Chief Executive Officer da Gallup, uma das mais credíveis empresas de sondagens dos Estados Unidos, colocou em causa num artigo bem fundamentado, chamado "The Big Lie", os números do desemprego nos Estados Unidos. Diz Clifton neste artigo que os números de 5,6% não correspondem à verdade, e são maquilhados de diversas maneiras (quem desistiu de procurar emprego durante quatro semanas deixa de ser desempregado, quem trabalha uma hora por semana ou mais deixa de ser desempregado). Como aliás se faz em Portugal. Tal como cá, os números que interessam são os do emprego, e, particularmente, os das horas trabalhadas. E aí a diminuição do desemprego é pouco evidente.

A notícia não está aqui. A notícia é que Clifton tenha dito textualmente isto, numa entrevista à CNBC:

Eu acho que o número que vem do Bureau of Labor Statistics e do Departament of Labor é muito, muito preciso. Eu preciso de deixar isto muito, muito claro para que não desapareça subitamente. Preciso de chegar a casa hoje.

Apesar de isto ter parecido ser dito com algum humor, a linguagem corporal mostra que Clifton foi coagido de alguma forma (notem os olhos) e que não dizia a verdade. O resto da entrevista foi, ao contrário do que tinha dito na abertura, a dizer quão errado está o número.

A política dos Estados Unidos anda assim. As pessoas estão a ser coagidas e há alguns desaparecimentos suspeitos, inclusivamente de jornalistas, que se meteram a investigar a administração Obama ou que escreviam contra ela em blogues e em colunas de jornais. A maior parte não desaparece: é emaranhada em auditorias sobre auditorias das finanças lá do sítio (que parecem estar no negócio de apenas auditar conservadores e libertários, deixando os democratas e marchistas em paz para fazerem as manigâncias que quiserem, como votar várias vezes por eleitor).

Hoje lá, amanhã cá. É preciso desconfiar sempre de presentes de gregos e de proto-comunistas.